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A maior parte das pequenas e médias empresas (PME) algarvias tem uma perceção “modesta” do seu desempenho ao nível da inovação, indica um estudo realizado a partir de 151 inquéritos de autoavaliação, hoje apresentado.

“As empresas não avaliam genericamente o seu desempenho nos diferentes domínios acima do satisfatório”, indicou João Amaro, membro da equipa responsável pelo estudo do potencial de inovação de empresas do Algarve, realizado ao abrigo do projeto Inova Algarve 2020, que visa estimular a inovação nas PME algarvias.

O estudo, que foi hoje apresentado durante o segundo dia da conferência “Inova Algarve”, em Loulé (distrito de Faro), revela que as empresas que operam no setor do Mar são aquelas que apresentam uma melhor autoavaliação, ao passo que o Turismo, apesar de ser um dos setores mais fortes na economia da região, surge em quarto lugar.

João Amaro admitiu que esperava resultados superiores na avaliação que as empresas fizeram a si próprias, através do preenchimento de um questionário com 82 perguntas, considerando que, sobretudo o setor do Turismo se avaliou “de uma forma que não representa o peso que tem na região”.
Os resultados de 120 do total de inquéritos já realizados podem ser consultados ‘online’ no sítio de Internet do projeto Inova Algarve, em que se pode responder aos questionários e ver os dados do barómetro para a inovação no Algarve, por setores de atividade e por concelhos.

Com base nesses dados e os contributos de 11 personalidades, foi realizado o estudo hoje apresentado, que, segundo João Amaro, tem uma “amostra relativamente representativa e resultados relativamente robustos”.

O estudo incidiu sobre 151 inquéritos aplicados a empresas de toda a região, na sua maioria (60,3%) de setores emergentes como Ambiente, Energia, Tecnologias de Informação e Comunicação ou Saúde, mas também de setores consolidados (36,5%), como o Turismo ou o Mar.

A maior parte das empresas classificou de forma negativa o seu desempenho ao nível das patentes e métodos de proteção, o que significa que “não estão a usar convenientemente os mecanismos de propriedade industrial e não estão a proteger-se”, sublinhou João Amaro.

Como ameaças à inovação das empresas algarvias foram identificados, entre outros, a dependência de decisões externas à região para o seu principal setor, o Turismo, quer do lado da procura, pela variedade de destinos à escolha dos turistas, quer pela oferta, já que os maiores operadores têm sede fora da região.

O facto de o discurso político de apoio à inovação se afastar da prática dos instrumentos de financiamento e de a Universidade do Algarve ter a sua capacidade produtiva muito concentrada na economia do mar, em detrimento de outras áreas de conhecimento, são outras das ameaças identificadas.

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