Pub

O interesse daquele ex-comissário assistente da Polícia de Hong Kong, e ex-consultor da Interpol e das Nações Unidas na área das drogas e crime, pela realidade algarvia aguçou-se após um conjunto de assaltos violentos ocorridos no interior do concelho de Loulé em 2009, onde reside desde há oito anos.

“Senti que seria bom ajudar a PSP e a GNR a estreitarem laços com a comunidade, até porque a prevenção não é apenas um trabalho da polícia, envolve toda a gente”, disse.

O projeto arrancou com um espaço online, em outubro de 2011, e deu agora origem a uma associação sem fins lucrativos, que reúne com as autoridades portuguesas e promove seminários na área da prevenção de crimes e dá dicas sobre serviços e dispositivos de segurança, explicou David Thomas.

“O meu trabalho não é dizer à polícia o que fazer, até porque ela está a fazer um trabalho muito bom e, às vezes, com recursos limitados”, frisou, admitindo que “algumas polícias de outros países até podiam beneficiar do conhecimento sobre o trabalho que é feito por cá”.

O criador do Safe Communities Algarve disse que o Programa Residência Segura é um bom exemplo de como se pode aumentar o sentimento de segurança das pessoas, promover respostas mais rápidas dos agentes de segurança e facilitar o contacto e confiança entre estes e os residentes.

A decisão de morar no Algarve depois da reforma começou após ter gozado férias na região e ter percebido que, além de se sentir atraído pela cultura, clima e estilo de vida portugueses, se tratava de um local bastante seguro para viver.

“Claro que, de vez em quando, ocorrem crimes que causam preocupação”, comentou, defendendo que os casos esporádicos não devem desvirtuar a imagem de região segura.

A associação está a fortalecer laços com as entidades oficiais existentes na região, como a Entidade Regional de Turismo do Algarve, com a qual já se encontrou.

David Thomas admite que seria interessante fornecer informações aos turistas, logo no aeroporto, sobre os cuidados a terem para reduzir os riscos de serem alvos de algum tipo de crime.
“Já temos falado sobre isto com o presidente do Turismo do Algarve, mas é uma ideia que envolverá várias entidades e cujas vantagens, desvantagens e custos têm de ser ponderados”, explicou.

O próximo seminário sobre prevenção de crimes está marcado para 13 de fevereiro, em São Brás de Alportel.

Entre os conselhos dados nos seminários constam, entre outros, manter uma lista dos objetos de valor acompanhados com dados de identificação que facilitem reportar furtos às autoridades e às seguradoras, antes de sair de casa verificar que todas as portas e janelas estão fechadas, ligar o alarme e, se estiver ausente durante a noite, deixar algumas luzes ligadas.

“Os criminosos estão sempre à espera de uma oportunidade e o que tentamos fazer é reduzir essas oportunidades”, sublinhou David Thomas.

Lusa

Pub