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Construída sobre uma antiga fábrica de cortiça, a Fábrica do Inglês, complexo de animação turística fundado em 1999, albergava o Museu da Cortiça e espaços de restauração e espetáculos, mas encerrou há quatro anos por falência.

O antigo diretor do museu, Manuel Castelo Ramos, contou à Lusa que no último mês o complexo tem sido alvo de furtos e atos de vandalismo, que colocam em causa o património do museu, cujo acervo inclui máquinas e outros bens valiosos.

Segundo Manuel Castelo Ramos, apesar de o museu ainda não ter sido atingido, no espaço envolvente tem sido furtado cobre e outras peças e componentes de aparelhos existentes na Fábrica do Inglês, o que já levou a que a instalação elétrica do espaço esteja praticamente inutilizada.

"Já levaram computadores, termoacumuladores e têm desmontado as máquinas da cerveja e do tabaco para tirar peças", lamentou, temendo que o mesmo possa acontecer no interior do museu.

Para tentar evitar a "pilhagem" do museu, aquele responsável convocou para hoje uma reunião com a Câmara de Silves e a GNR, cujo núcleo de investigação vai fazer uma perícia ao espaço.

"Gostava que houvesse mais patrulha nesta zona porque a qualquer momento podem desaparecer as peças do museu", refere, lamentando que o espaço esteja ao abandono.

O arquivo histórico da antiga Fábrica de Cortiça de Silves foi transferido no ano passado para o Arquivo Distrital de Faro, mas o mesmo não pode ser feito em relação ao restante acervo.

"O edifício da antiga fábrica é oitocentista e ele próprio um museu", explicou Manuel Castelo Ramos, sublinhando que a maior parte das máquinas estão no seu lugar de origem e que algumas, como os tanques de rolhas, nem sequer podem ser deslocadas.

O antigo diretor queixa-se ainda da deterioração do edifício, agravada pela intempérie que em novembro atingiu Silves, o que está a pôr em risco as peças do museu.

Aquele que era considerado o principal museu de cortiça existente em Portugal chegou a ganhar o prémio de melhor museu industrial da Europa em 2001, ano em que recebeu mais de 100 mil visitantes.

No museu permanecem máquinas únicas no mundo e outros equipamentos que remontam ao período em que Silves era a capital nacional da indústria corticeira e que agora estão abandonados.

A Fábrica do Inglês pertence a uma empresa do Grupo Alicoop/Alisuper, recentemente adquirido pelo Grupo Nogueira, que detém 28 por cento das ações, e a vários acionistas que detêm os restantes 72 por cento.

Apesar de estar encerrada há quatro anos, ainda não foi feita a declaração de insolvência, conclui Manuel Castelo Ramos.

Lusa

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