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Construído para receber jogos de futebol durante o Euro 2004, o Estádio Algarve não voltou a ter desde então uma utilização contínua, servindo esporadicamente para concertos, feiras e eventos desportivos anuais como a Taça da Liga ou o Rally de Portugal.

O estádio custa anualmente às autarquias cerca de três milhões de euros (1,5 milhões cada), despesas que incluem a manutenção do recinto, o pessoal e a amortização de empréstimos, uma situação “insustentável”, diz o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio.

Em declarações à Lusa, Seruca Emídio disse que o concurso público para a concessão da exploração do estádio a um grupo privado, que deverá ser lançado daqui a seis meses, é a única forma de aliviar os encargos suportados exclusivamente por receitas municipais.

Contudo, como sublinhou à Lusa Macário Correia, presidente da Câmara de Faro – a outra autarquia envolvida no processo -, a entrega da gestão a privados ajudará efetivamente a reduzir as dificuldades de gestão atuais mas não resolverá a situação pendente.

“Os encargos anuais não serão aparentemente cobertos pelas propostas que supomos que nos irão fazer”, avisa, acrescentando que apesar do pessoal que trabalha no recinto já ter sido reduzido, o número de trabalhadores poderá ainda vir a diminuir para “sete ou oito”, cerca de metade dos atuais.

Segundo o presidente da Câmara de Faro, existem três grupos interessados na gestão do estádio: um português, um brasileiro e um espanhol, que pagarão às duas autarquias um valor anual e promoverão os seus próprios eventos, salvaguardando aqueles que são de interesse regional ou nacional.

De acordo com Seruca Emídio, é importante que o grupo a quem seja entregue a gestão do estádio tenha “know how” na área do entretenimento e possa, com ideias novas e uma estrutura mais adequada, dinamizar não só o recinto do estádio como a área envolvente, inserida no Parque das Cidades.

O presidente da autarquia de Loulé lamenta o escasso apoio que o Governo tem dado ao parque, sobretudo quando comparado ao apoio que tem sido prestado a outras infraestruturas equivalentes, como o Autódromo do Algarve, em Portimão, inaugurado mais recentemente.

“Há um diferença abismal em termos de apoios financeiros”, afirma, lembrando que o estádio e os terrenos envolventes têm sido sempre disponibilizados ao Estado “a custo zero”, seja para a construção de um laboratório de saúde pública, já em funcionamento, seja para unidades futuras como o Hospital Central do Algarve.

Para o autarca, a dinamização do Parque das Cidades depende muito da construção do hospital central, obra que tem sofrido atrasos – mas que segundo informações recolhidas pelo autarca pode avançar no segundo semestre deste ano -, e que é fundamental para tornar a zona “mais atrativa para os investidores”, conclui.

Lusa

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