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Exposicao_louleA Praça do Mar, em Quarteira, concelho de Loulé, recebe no mês de agosto a exposição “Quem nos escreve da serra”, que revela o povo do sul responsável pela primeira manifestação escrita da Península Ibérica, designada “Escrita do Sudoeste”.

Trata-se de uma exposição de arqueologia de rua que, através de lajes, designadas por estelas, e outros objetos que têm vindo a ser analisados, explica como vivia o povo que há mais de 2.500 anos criou aquela escrita, ainda por decifrar.

A exposição de rua vai ser inaugurada a 01 de agosto, às 19:00, com o artista contemporâneo local El Menau vai pintar um mural ao vivo, que integrará a mostra até ao final do mês.

“Sempre tivemos o desejo de ter um artista contemporâneo a pensar sobre o que para nós hoje já não são letras mas são sinais gráficos. Nada melhor que um artista que também trabalha o espaço público, uma vez que se trata de uma exposição de rua”, disse à agência Lusa a chefe de Divisão de Cultura e Património da Câmara de Loulé, Dália Paulo.

A escrita do Sudoeste terá sido criada a partir do alfabeto fenício oriundo do Mediterrâneo Oriental, tendo o primeiro fragmento sido encontrado no concelho de Loulé em 1897. Os vestígios encontrados levaram os investigadores a assinalar a serra de Mú e Caldeirão, entre o Algarve e o Baixo Alentejo, como epicentros do fenómeno.

“É uma exposição feita para o público, ou seja, tenta explicar quem são as pessoas que estão por detrás desta escrita”, disse Dália Paulo, acrescentando que esta escrita é “um dos mistérios e um dos maiores tesouros da arqueologia europeia, uma realidade arqueológica de cariz excecional, uma imagem de marca desta serra e símbolo privilegiado da herança histórica da região”.

No século I, o historiador e geógrafo grego Estrabão observou que aquele povo possuía uma gramática e escritos de antiga memória, poemas e leis em verso.

Segundo Dália Paulo, a “Escrita do Sudoeste” terá surgido como uma necessidade do dia-a-dia, mas depois passou a ser usada em contexto funerário, o que já demonstra uma vontade de perpetuar a memória.

“Surge como necessidade da população, o que significa que já há trocas comerciais que necessitam de colocar alguma coisa por escrito”, acrescentou.

A exposição, de acesso gratuito, chega agora ao litoral do concelho de Loulé, tendo já passado por Salir, Benafim, Tôr e Ameixial, estando prevista a sua apresentação na cidade de Loulé no final de setembro, aquando da realização das Jornadas Europeias do Património, adiantou a responsável.

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