Pub

Foi inaugurada no passado sábado, no Museu de Portimão, a exposição de arte sacra da Diocese do Algarve com vista a assinalar o Ano da Fé (outubro de 2012 a novembro de 2013) e as bodas de prata de ordenação episcopal do bispo do emérito do Algarve, D. Manuel Madureira Dias (19 de junho de 2013).

A mostra, intitulada “Creio” e integrada nas comemorações do 5º aniversário do Museu de Portimão, reúne cerca de 50 peças oriundas de todo o Algarve, está dividida em três grandes sectores – Deus, Jesus Cristo e Espírito Santo – e foi promovida em colaboração pela paróquia da matriz de Portimão e pelo município.

Óleos sobre madeira e tela, peças em ouro, prata, marfim, madrepérola ou pau-santo, esculturas de barro policromado, mármore ou madeira estofada e policromada, veludo, lavandas e sedas bordadas, são algumas das preciosidades religiosas de toda a região que foram reunidas, com origens não só do Algarve, mas também de paragens tão remotas como a Índia, o Japão, a Jordânia ou a Pérsia e que abarcam a arte sacra criada entre os séculos XV e XIX. Junta-se a estas ainda uma moeda de ouro do século I, do período de governação do imperador Tibério, contemporânea da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

De todo o espólio exposto, destaque para uma imagem de São Pedro em mármore, uma peça do século XVI; para um tondo (tela redonda) da Sagrada Família, do século XVIII; para uma casula em seda bordada a ouro do século XVIII, que pertenceu ao cardeal José Pereira de Lacerda, o único algarvio purpurado; e para uma dalmática em lhama (seda e ouro) e bordada a ouro, do século XVIII.

O bispo do Algarve destacou que a exposição vem “enriquecer significativamente” as iniciativas pastorais que a Diocese do Algarve tem vindo a promover ao longo deste Ano da Fé, possibilitando “conhecer a importância e a riqueza” do património cultural e religioso e do que ele representa como “expressão da fé e da cultura do povo algarvio”. “Temos diante de nós o testemunho de fé de comunidades vivas que, ao longo do tempo, cerca de 500 anos, a souberam exprimir de modo tão diverso, nelas refletindo igualmente a sua realidade humana, social e cultural. Hoje compete-nos acolher este património, continuar a preservá-lo e desfrutá-lo como herança da fé recebida e, em Ano da Fé, utilizá-lo como instrumento privilegiado de evangelização para o fortalecimento e testemunha da mesma fé”, afirmou D. Manuel Quintas.

O prelado considerou aquela iniciativa um “excelente meio de informação e formação, uma verdadeira escola dos conteúdos essenciais da fé católica, professados no credo, apresentados de forma integrada num percurso expositivo”.

Já o presidente da autarquia, que se deteve em justificar as razões que levaram o município a apoiar a iniciativa, considerou a exposição uma “oportunidade imperdível de contemplar expressões da utopia”. “Esta exposição é um tempo de graça porque nos provoca a nos reencontrarmos com as nossas raízes a partir dos objetos que vamos ver”, acrescentou Manuel da Luz.

O pároco da matriz de Portimão destacou que aquela exposição “está embebida na fé dos algarvios”. “É uma exposição que nos lega, não apenas a arte, mas a arte dessa beleza cuja origem é Deus, Aquele que é totalmente belo para nós, os crentes”, frisou o padre Mário de Sousa.

Esta exposição, que ficará patente até dia 15 de setembro, é composta por peças dos acervos do Paço Episcopal de Faro, do Seminário de São José de Faro, das paróquias de Aljezur, Alvor, Cachopo, Estoi, Ferragudo, Marmelete, matriz de Portimão, Moncarapacho, Olhão, Pêra, Porches, Santa Maria de Lagos, São Pedro de Faro, São Sebastião de Loulé, Sé de Faro, Silves, Vila do Bispo e da Ordem Terceira do Carmo (Faro), assim como de José Paulo Costa.

Samuel Mendonça

Pub