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O sacerdote, que ontem havia completado 100 anos e oito meses de vida, faleceu na sua casa, em Alcantarilha, após crescente fragilização do seu estado de saúde nos últimos tempos.

Recorde-se que o cónego monsenhor Sezinando Rosa ainda celebrou o seu centenário de vida, conjuntamente com quase todo o clero algarvio, no dia 20 de julho do ano passado, na igreja paroquial de Alcantarilha, onde foi pároco durante vários anos.

De entre os cerca de 3400 presbíteros diocesanos e de muitos mais membros dos vários institutos religiosos em Portugal, o sacerdote da Diocese do Algarve, agora falecido, era uma verdadeira memória viva não só da Igreja do Algarve mas também do país, uma vez que era o mais idoso de Portugal e simultaneamente o que havia sido ordenado há mais tempo.

A seguir ao sacerdote algarvio constam do anuário da Igreja católica em Portugal, o cónego monsenhor José Amaro, do Patriarcado de Lisboa, nascido no dia 19 de Agosto de 1911 e ordenado no dia 06 de Abril de 1935, e o padre Joaquim Pereira da Cunha, da Diocese do Porto, nascido no dia 08 de Julho de 1912 e ordenado a 08 de Agosto de 1937.

Ordenado a 15 de Setembro de 1934, tendo celebrado a sua missa nova no dia 23 do mesmo mês, o cónego monsenhor Sezinando Rosa foi, entre outras funções, vigário geral e vigário episcopal para a Pastoral Social da Diocese do Algarve, pároco de Alcantarilha e administrador paroquial da Guia, secretário geral da Acção Católica de Portugal, director do Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa, administrador da Rádio Renascença, secretário geral da Universidade Católica Portuguesa e provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcantarilha.

Recorde-se que o cónego monsenhor Sezinando Rosa, desde o seu nascimento, foi contemporâneo de 9 Papas e 8 bispos do Algarve e desde que foi ordenado já deveu obediência a 7 Papas e 7 bispos do Algarve.

Na eucaristia de acção de graças pelo centenário do sacerdote agora falecido, o bispo do Algarve evidenciou o “dom da vida e do sacerdócio” do aniversariante. D. Manuel Quintas agradeceu pelo seu ministério, “não apenas ao serviço desta Igreja do Algarve mas da Igreja em Portugal”, e pela “dimensão de universalidade” do seu sacerdócio.

Antes do final da eucaristia, o sacerdote agradeceu a presença de todos os que se quiseram associar à celebração e destacou o testemunho de fé, comunhão e unidade da Igreja, simbolizada na presença de tantos fiéis e membros do clero algarvio em nome do qual se dirigiu a D. Manuel Quintas: “queremos dizer-lhe: aqui estamos, senhor Bispo, para colaborar com o coração aberto”.

À entrada para a igreja disse aos jornalistas que não tinha “más memórias” e que Pio XI foi o Papa que mais o marcou. Garantiu ainda que a Igreja de hoje é muito diferente da da altura em que foi ordenado. “Hoje é uma Igreja mais viva, que acompanhou os tempos”, concretizou, rejeitando que haja falta de fé entre as pessoas. “Agora há mais sentido de responsabilidade da fé”, disse.

O corpo do sacerdote, que era membro do Cabido Catedralício da Sé de Faro, foi para a igreja matriz de Alcantarilha ao final da tarde, onde permanecerá em câmara ardente até à próxima sexta-feira (23 de março), dia em que será realizado o seu funeral, presidido às 15h pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas.

Samuel Mendonça

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