Faleceu na última madrugada o padre David Sequeira, de 94 anos, que foi pároco de Tavira quase 40 anos e professor de várias gerações na cidade.
O sacerdote tinha sido acometido de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no passado dia 22 de abril, tendo sido internado no hospital de Faro. Após alguns dias de recuperação favorável foi transferido para o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul, em São Brás de Alportel, para prosseguir o tratamento.
O seu estado de saúde acabou por se agravar alguns dias depois e esse quadro deu origem ao seu internamento novamente no hospital de Faro, onde veio agora a falecer.
Nascido em Alcantarilha a 28 de julho de 1931, o padre David Gonçalves Sequeira entrou em 1944 para o Seminário Diocesano, em Faro. Passou pelo Seminário de Almada e pelo Seminário dos Olivais. Foi ordenado sacerdote na igreja paroquial de Alcantarilha a 02 de setembro de 1956 por D. Francisco Rendeiro, então bispo do Algarve.
Por ocasião da celebração das bodas de ouro sacerdotais, o padre David Sequeira recordou o contexto que o levou a aceitar ser ordenado sacerdote. “Procurei responder a um apelo que ouvi naquela altura, estava ainda no Seminário, em Faro: se não quiseres ser padre, haverá uma parte do Algarve, que te estaria destinada, que não será evangelizada ou que ficará à espera de quem anuncie a Boa Nova de Jesus Cristo. Isto pesou na minha decisão”, confessou.
De 1956 a 1962 exerceu o cargo de prefeito e professor do Seminário Diocesano e, como bolseiro da Fundação Gulbenkian, frequentou o Instituto Pontifício de Música Sacra de Roma, entre 1962 e 1965, durante o Vaticano II. Fez o magistério em Canto Gregoriano e a licenciatura em Composição Sacra.
Em 1969 foi nomeado pároco de Santiago de Tavira pelo então bispo do Algarve, D. Júlio Rebimbas, tomando posse a 28 de setembro.
Fez o curso de Filologia Românica pela Universidade Clássica de Lisboa e efetivou-se como docente da antiga Escola Secundária Dr. Jorge Correia, onde lecionou Português e Francês até aos 67 anos de idade. Mais de metade da geração ativa do concelho de Tavira terá tido o sacerdote como professor.
Fundador e maestro do Coro Nova Esperança mais tarde denominado Psallite Chorus, por onde, desde 1989, passaram mais de 300 jovens, a quem ensinou o domínio da pauta, incentivando muitos deles à aprendizagem da música e ao gosto pela execução instrumental. O sacerdote foi ainda cofundador do quinzenário Jornal do Sotavento.
De 2001 a 2008, altura em que se aposentou, acumulou a paroquialidade de Santiago com a de Santa Maria, conferida pelo então bispo diocesano, D. Manuel Madureira Dias.
Em 2005 recebeu a «Medalha de Ouro» da Câmara de Tavira.
Numa entrevista ao Folha do Domingo, o sacerdote que destacou o seu trabalho, primeiro com os jovens e depois com a família. Por ser professor na Escola Secundária de Tavira privilegiou desde cedo a pastoral juvenil. “Na escola, sempre em contacto com os jovens, procurei aproveitar o ensino para também fazer o meu apostolado”, afirmou, acrescentando: “depois, já mais tarde, e endurecido pela paroquialidade, dediquei-me particularmente à pastoral da família”.
Criou então as condições para o surgimento na paróquia (de Santiago) das equipas do CPM – Centro de Preparação para o Matrimónio, das Equipas de Nossa Senhora e do movimento dos Cursos de Cristandade. “A consciência que tenho é que procurei estar sempre unido ao meu Bispo, – qualquer deles –, e identificar-me com todos projetos da diocese, tendo uma grande preocupação com o Seminário, procurando ser fiel às propostas, planos e disciplina da Igreja”, complementou.
Os restos mortais do sacerdote estarão em câmara ardente na igreja de Nossa Senhora do Carmo em Tavira na próxima segunda-feira, 25 de maio, a partir das 15h e a Missa exequial do sacerdote decorrerá na terça-feira, 26 de maio, pelas 11h, na mesma igreja. O corpo do sacerdote ficará sepultado, como era seu desejo no cemitério local, cidade onde viveu os últimos 56 anos de vida.






