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Ordenado na Covilhã a 30 de julho de 1972, pelo bispo D. Policarpo da Costa Vaz, o padre Arsénio da Silva foi nomeado assistente diocesano da Obras dos Ciganos, a 6 de dezembro de 1978, pelo bispo do Algarve de então, D. Ernesto Gonçalves Costa.

A 22 de janeiro de 1983 seria nomeado, também por D. Ernesto Gonçalves Costa, pároco do vicariato paroquial de Nossa Senhora do Amparo e a 7 de outubro de 1990 pároco da nova paróquia algarvia na cidade portimonense.

O exercício do ministério do sacerdote fica indubitavelmente marcado pelo trabalho em prol dos mais carenciados, dos idosos, dos jovens e na rádio, as suas grandes paixões reafirmadas por diversas ocasiões à FOLHA DO DOMINGO. Da obra edificada no âmbito da pastoral sóciocaritativa e da juventude o maior testemunho é a construção do Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo, inaugurado em outubro de 2009, depois de cerca de 15 anos de construção, sendo uma das principais instituições em Portimão no apoio aos mais pobres, à terceira idade e à juventude.

O sacerdote agora falecido, que construiu todas as dependências da paróquia de Nossa Senhora do Amparo, com particular incidência para a igreja paroquial, foi um dos principais impulsionadores da Rádio Costa D’Oiro. Desde cedo grande entusiasta dos meios radiofónicos, o padre Arsénio da Silva colaborava com rádios locais em Portimão (algumas rádios pirata) quando, em Setembro de 1994, surgiu a hipótese de comprar o alvará da estação de rádio, propriedade do jornal Barlavento. O sacerdote jesuíta avançou então, junto do bispo do Algarve da altura – D. Manuel Madureira Dias – com a proposta de ser a diocese algarvia a adquirir a emissora, conjuntamente com quatro paróquias do barlavento algarvio. Na Rádio Costa D’Oiro foi diretor-adjunto e, posteriormente, diretor de programas.

Os primeiros dias no Algarve do sacerdote falecido não foram fáceis. Isso mesmo o fez questão de lembrar o padre Luís Rocha e Melo por ocasião da celebração das bodas de ouro do ingresso do padre Arsénio da Silva na Companhia de Jesus. O colega jesuíta, na celebração de setembro de 2007, lembrava os tempos logo após a ordenação do padre Arsénio da Silva quando este rumou ao Algarve e se fez estivador, acarretando caixotes de peixe aos ombros para se puder sustentar. “Cheguei a celebrar com ele num barracão para os lados do porto de pesca”, afirmou o sacerdote, recordando que a atual igreja de Nossa Senhora do Amparo não existia. “Ela existe hoje graças aos esforços e dedicação do padre Arsénio”, complementava, acrescentando também a edificação do Centro Paroquial.

No dia da bênção do Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo, em outubro de 2009, o bispo do Algarve manifestou o orgulho da diocese algarvia no padre Arsénio da Silva. “É um grande dom para a nossa Igreja diocesana”, destacava D. Manuel Quintas.

O sacerdote, que chegou a ser membro do Conselho Presbiteral da Diocese do Algarve, deixa também inúmeras publicações, a maioria ligadas à paróquia algarvia de que foi pároco. Em 2008 foi também distinguido pela Câmara de Portimão com a Medalha de Mérito Municipal.

O corpo do sacerdote irá para a igreja paroquial da Mexilhoeira Grande, onde hoje, pelas 18h, será celebrada Eucaristia, seguindo depois para a igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Portimão, onde estará em câmara ardente. O seu funeral será presidido amanhã, 15 de maio, pelo bispo do Algarve, pelas 16h, na mesma igreja, sendo depois sepultado no Cemitério de Portimão.

Samuel Mendonça
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