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Na sua intervenção sob o tema “Voluntários para o Desenvolvimento”, aquele professor da Universidade do Algarve (UAlg) constatou que “cada vez, se torna mais difícil encontrar pessoas que deem este sinal de inteligência”.

Joaquim do Arco considerou ainda que “ser voluntário é ser justo e defender valores como o respeito pela dignidade humana, pela diferença, pelo amor, pela amizade, ser generoso, altruísta, nobre e admirável” e advertiu que “transformar o mundo não é apenas da responsabilidade de alguns, ditos senhores, mais sabidos ou videntes”. “Criar um mundo melhor é responsabilidade de cada um de nós”, alertou, acrescentando que o voluntariado “precisa de ser reconhecido, e muitas vezes apoiado, pela sociedade civil e pelos setores público-privados”. “O voluntariado é a expressão de nossa humanidade e a humanidade é expressão do nosso progresso”, evidenciou.

“Face aos ideais humanistas das pessoas, não podemos ficar alheios ao número, cada vez maior, de pessoas que vivem privadas das condições de vida mais elementares, dos seus direitos, no que diz respeito à saúde, alimentação, trabalho e educação. Privadas do seu direito de cidadania”, destacou, acrescentando que “neste mundo, onde queremos viver com mais justiça, igualdade e maior dignidade da pessoa humana, temos de reagir e agir”.

“Neste campo, o voluntariado pode ser decisivo porque a solidariedade para com pessoas menos desfavorecidas não pode só depender das iniciativas pontuais. Tem também de depender de projetos articulados entre si”, disse, considerando que “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. “Não podemos ficar indiferentes a alguns males da nossa sociedade: o crescente individualismo, a perda de solidariedade e à falta de afetividade entre as pessoas”, advertiu, considerando que “o destino do mundo dependerá da capacidade de ver, de amar, de respeitar as pessoas e a nossa própria pessoa”.

Considerando que o trabalho social implica a promoção da mudança social, numa referência aos três paradigmas do mesmo, alertou que “não há nenhuma pessoa que esteja disponível para fazer formação ou aprender a fazer economia doméstica se estiver de barriga vazia ou não tiver as condições básicas asseguradas”. Neste sentido, defendeu ainda o imperativo de fazer das pessoas “sujeito do seu próprio desenvolvimento” e que o voluntariado é “muito importante” para promover a sua participação nas “mudanças sociais e no desenvolvimento humano”.

Joaquim do Arco lembrou ainda que, para se ser voluntário, tem de se ser uma pessoa “realizada humanamente, preparada tecnicamente e em reciclagem constante”. É ainda necessário “ter alguma formação, trabalhar em equipas, com tarefas definidas e ao serviço do bem-comum”.

Samuel Mendonça

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