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“A ANA [Aeroportos de Portugal] devia ter mais responsabilidade. Uma vida vale muito e o que aconteceu é que eles não quiseram nem se preocuparam comigo”, disse Anderson de Oliveira, de 26 anos, à agência Lusa.

Classificando de “injusto” o comportamento da empresa, o cidadão brasileiro, funcionário de um café no aeroporto de Faro, mostra-se convicto de que a ANA “teria agido de outra forma” se o acidentado envolvesse “um passageiro importante” e não “uma pessoa simples”.

“Espero ser indemnizado pela empresa”, afirmou, sublinhando que não se encontrava no local de trabalho quando foi atingido por destroços do teto do aeroporto.

O acidente ocorreu às 05:00 de 24 de outubro, quando os extremos norte e sul da aerogare desabaram parcialmente, devido a rajadas de ventos muito fortes, causando cinco feridos, um dos quais com gravidade.

Em consequência, aquele funcionário do café Air Taste, em frente aos balcões de check-in, sofreu um traumatismo craniano e necessita ainda de acompanhamento clínico ao ouvido esquerdo, no qual continua a sentir fortes dores e um ruído persistente.

“Ouço um ruído de fundo que não para. Às vezes aumenta tanto que nem consigo dormir”, afirmou Anderson de Oliveira, que se queixa também de fortes dores de cabeça, apesar da medicação que segue desde que teve alta do hospital de Faro, onde esteve internado durante uma semana.

Em situação de baixa médica pelo menos até ao fim do mês, o jovem tem promessas de que o seu problema esteja coberto pelo seguro de acidentes de trabalho, mas queixa-se de ainda não ter sido contactado para a primeira consulta, apesar da situação aflitiva em que vive.

“Disseram-me que com o tempo [contactavam], mas uma situação destas devia ser mais urgente”, sustentou.

Dentro de um mês Anderson de Oliveira espera regressar ao café, onde trabalha há quase um ano, mas antes disso, reforçou, mantém a expetativa de “ser contactado e indemnizado pela ANA”.

Confrontada pela Lusa com as queixas, a ANA – Aeroportos de Portugal desmentiu as acusações e assegurou que a empresa “procurou a todo o momento obter informações sobre o estado de saúde do ferido através das entidades de saúde, do concessionário onde o queixoso trabalha (Moiagest) no próprio dia do acidente, tendo obtido informações de que a sua situação requeria acompanhamento, mas que não era considerada grave”.

A ANA e os seus concessionários “têm um seguro que cobre situações que possam ocorrer nas suas instalações, devendo os mesmos ser mobilizados pelos lesados. Esta foi a informação transmitida aos próprios lesados”, assegurou a ANA, numa nota, acrescentando que compete aos seguros do concessionário (seguros exigidos pela ANA no processo de licenciamento de concessão) a eventual atribuição de uma indemnização.

A empresa asseverou que a própria direção do aeroporto informou “pessoalmente ao senhor Anderson de Oliveira, que na altura estava acompanhado por familiares, na semana passada, que deveria contactar o aeroporto no sentido de obter todos os elementos e informações necessárias à resolução dos problemas”.

Contactado posteriormente pela Lusa, o queixoso manteve a afirmação de que jamais foi contactado pela empresa gestora do aeroporto ou pelo seu diretor, pessoalmente ou por qualquer outra via.

Lusa

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