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Festa de S. Francisco de Assis celebrada em Faro com apelo ao despojamento de vida

© Samuel Mendonça
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A Igreja celebra hoje a festa litúrgica de São Francisco de Assis (1182-1226), assinalada precisamente no dia de aniversário da sua morte. Nesse contexto, a comunidade franciscana algarvia reuniu-se ontem em Faro, na igreja dedicada ao santo de Assis (Itália), para celebrar a chamada festa do “trânsito” do fundador da Ordem dos Frades Menores (franciscanos).

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As festividades tiveram início ao final da tarde no claustro do convento franciscano, anexo à igreja, com a realização de um jogral alusivo ao momento da morte de Francisco. Com a participação de alguns elementos caraterizados, foi evocado o diálogo final que Francisco teve com os seus confrades mais próximos, através do qual lhes deixou a promessa divina de que a Ordem Franciscana cresceria e perduraria.

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Recuperando uma tradição antiga, a eucaristia teve início com um cortejo com um pequeno andor de São Francisco desde o claustro. Na homilia, o frei Paulo Ferreira, que presidiu à celebração, lembrou o ensinamento deixado pelo santo. “Entregou tudo, ou seja, despojou-se para melhor poder servir e esta é a primeira grande lição de Francisco para todos aqueles que querem servir. O caminho que nos leva a Cristo exige despojamento”, evidenciou aquele membro da comunidade franciscana algarvia, fazendo memória do momento de conversão, por volta do ano de 1207, quando Francisco se desnudou junto ao palácio episcopal de Assis.

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O sacerdote lembrou o chamamento de Deus a Francisco para que reconstruísse a sua Igreja. “Francisco não tinha nada, mas, ao mesmo tempo, ele próprio se oferecia para a reconstrução da Igreja. Por isso, o elemento mais importante para a reconstrução da Igreja és tu mesmo. És tu que te deves oferecer para reconstruir esta Igreja. Ao celebrarmos São Francisco percebemos que hoje a restauração da Igreja continua a ser necessária pelo nosso empenho e testemunho”, interpelou.

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O frei Paulo Ferreira fez memória dos oito séculos da Ordem dos Frades Menores, lembrando todos aqueles que “olharam para Francisco e perceberam nele um testemunho vivo do Evangelho”. “Francisco não era o louco, nem o tonto que muitas pessoas pensavam. Ser simples, não é ser tonto. Ser simples é ter a capacidade de fazer uma opção pelo essencial”, destacou, frisando que a palavra de Francisco tocou “todos os sectores e dimensões do mundo”. “Francisco escreveu a todos os homens porque achava que o Evangelho estava ao alcance de todos. Talvez faça falta relermos esses textos e percebermos a sua riqueza e que a mensagem de Francisco continua válida”, sustentou.

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Neste sentido, o sacerdote evidenciou a simplicidade e a humildade como condições para acolher a lição de Francisco. “É preciso sermos pequeninos para acolher esta palavra de sabedoria que o Senhor nos dá com Francisco. Francisco quis que nós, os frades, nos chamássemos menores, pequeninos, e quis que aqueles que exercem a função de superiores (como eu nesta comunidade) não nos chamássemos superiores, mas ministros”, referiu, lembrando que “ministro é aquele que serve”. “Isto é uma lição para todos: sermos menores, pequeninos, sabermos servir, não à procura de títulos, de honras, da vaidade, mas desempenhando os nossos ofícios com competência e simplicidade, com sabedoria e fraternidade”, acrescentou.

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O sacerdote considerou ainda um “sinal profético” o facto de a Igreja ter hoje um Papa com o mesmo nome. “Se o próprio Papa se quis chamar Francisco é porque hoje precisamos de muitos Franciscos, a começar por nós, pela via da simplicidade, do Evangelho, da beleza e da clareza”, afirmou.

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As festividades contaram ontem com a presença da ministra nacional da Ordem Franciscana Secular e com a participação de representações da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo e das diversas congregações e institutos religiosos no Algarve.

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Presente esteve ainda uma réplica da cruz de São Damião, diante da qual Francisco sentiu o chamamento de Deus, e uma relíquia do santo de Assis à qual os presentes apresentaram a sua veneração.

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O ponto mais alto das festividades decorre hoje com a peregrinação nacional franciscana a Fátima, na qual participam também elementos do Algarve.

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