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Esta festa decorre entre o domingo de Páscoa e os quinze dias posteriores e é dividida em duas fases: a Festa Pequena e a Festa Grande. Num primeiro momento, que coincide com o Domingo de Páscoa, tem lugar a descida do cerro da imagem da Nossa Senhora em direção à igreja de São Francisco onde permanece durante duas semanas. Durante os quinze dias da sua estadia naquela igreja, o programa litúrgico enriquece-se com a celebração de Eucaristias, a recitação de rosários, a realização de concertos e a reflexão de reconhecidos oradores.

Destaque este ano para o grande número de sacerdotes que, ao longo da última quinzena, passaram pela cidade de Loulé oriundos das dioceses de Beja, Braga, Lisboa, Porto e Viana do Castelo, para além dos vários presbíteros da Diocese do Algarve que também marcaram presença.

Ontem realizou-se o encerramento com aquela que é considerada a Festa Grande. Foi o adeus da padroeira à sua terra e o regresso em apoteose, com a subida do andor pelo cerro, até ao Santuário, onde se localiza à sua pequena ermida que, a poente, se ergue sobranceira a toda a cidade. Impondo-se como a maior manifestação de fé a Sul do Tejo, que é simultaneamente a mais significativa expressão de devoção mariana no Algarve, a Festa Grande a Nossa Senhora da Piedade contou com uma Eucaristia na igreja de São Francisco, local de onde a imagem da Nossa Senhora partiu, de manhã em procissão, para o Largo do Monumento ao Engenheiro Duarte Pacheco.

Junto ao monumento foi celebrada uma Eucaristia dirigida às crianças e jovens, seguindo-se o tempo de louvor e saudação a Nossa Senhora da Piedade.

À tarde, o bispo do Algarve presidiu à celebração solene da Eucaristia. D. Manuel Quintas destacou na sua homilia a necessidade de se saber, como Maria, acolher o sofrimento, particularmente o actual momento de sofrimento de tantos que sofrem com a presente crise. Após a consagração a Nossa Senhora e as efusivas evocações à Mãe Soberana pelo pároco de Loulé, o padre Henrique Varela, irromperam então no meio dos aplausos da multidão os homens do andor que, subido ao palco, transportaram em ombros o andor da Pietá algarvia.

Ao som da banda, a marcha com a imagem ornada de correntes de ouro, seguiu também ao ritmo de emotivos vivas a Nossa Senhora da Piedade e aos homens do andor até ao Largo de São Francisco para o encerramento da procissão litúrgica, seguindo-se mais tarde à subida até ao Santuário mariano, na colina sobranceira à cidade, pejada de gente determinada em escolher o melhor lugar.

Os oito homens carregam o andor, vestidos de calças e opas brancas, sobem o íngreme cerro ao ritmo da música e com a população a exibir-se em manifestações diversas mas verdadeiramente sentidas. Em tempos passados, os homens-do-andor eram considerados seres com capacidades sobre-humanas. Ao esforço dos homens que transportam a Virgem Maria, alia-se a força espiritual dos muitos fiéis que, em vivas a Nossa Senhora, acenando lenços, ou em passo vivo e na cadência musicada dos homens da banda, vão «empurrando», no calor da fé e calçada acima, o pesado andor da padroeira.

Já no santuário mariano a pregação esteve este ano a cargo do padre Manuel António do Rosário, da vizinha diocese de Beja. O sacerdote lembrou que, tal como Nossa Senhora deu o seu Filho ao mundo, também os cristãos de Loulé, ao carregar o andor da Mãe Soberana com Jesus nos braços, são chamados a proclamar ao mundo que Cristo ressuscitou e está vivo.

As festividades de Nossa Senhora da Piedade constituem uma tradição com provável origem em 1553, data oficial da edificação da capela que lhe é dedicada.

Samuel Mendonça
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