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Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

No próximo domingo realiza-se aquela que é considerada a maior manifestação de fé a sul de Fátima, sendo simultaneamente a mais significativa expressão de devoção mariana algarvia: a Festa Grande a Nossa Senhora da Piedade, popularmente conhecida como Mãe Soberana.

Loulé volta assim a atrair uma multidão imensa de pessoas que congestiona por completo a circulação na cidade, oriundas não só de todos os pontos do Algarve, como também de diversas regiões do país e até estrangeiros e emigrantes.

Depois de as festividades se terem iniciado no Domingo de Páscoa com a Festa Pequena, a imagem da Virgem Maria com Jesus no regaço tem permanecido na igreja de São Francisco, estando o templo ininterruptamente aberto das 8 às 22.30h.

Este ano foi recuperada a tradição da visita da coroa de Nossa Senhora à casa das famílias e às instituições.

A novena de preparação decorreu até quarta-feira, sendo celebrada eucaristia sempre às 9h por intenção dos falecidos e às 19.15h a recitação do rosário, seguindo-se às 21h a eucaristia e meditações sobre as obras de misericórdia, orientadas por antigos estagiários que passaram pela paróquia e também pelos padres do concelho.

Ontem teve início o tríduo de preparação para a Festa Grande, que se prolonga até amanhã e que este ano tem como pregador o padre António de Freitas, antigo pároco de Loulé. Tendo como tema “Maria, mãe da Misericórdia”, incidiu ontem sobre a temática “Deus é rico em Misericórdia”, hoje realizar-se-á sobre a temática “Sede misericordiosos como Pai” e amanhã sobre “Maria, mãe da Misericórdia”.

Amanhã é celebrada a eucaristia às 10h, 18h e 21h, esta última seguida da pregação, após a qual, como é tradição, o Clube Hípico de Loulé prestará homenagem, pelas 22h no Largo de São Francisco, a Nossa Senhora da Piedade.

O momento alto de encerramento das festividades acontece então no domingo, 10 de abril, com a chamada Festa Grande. O padre Carlos de Aquino explicou ao Folha do Domingo que este ano pretende-se “valorizar muito” os grupos de peregrinos que cheguem nessa condição ao espaço da celebração. “Vai haver alguns momentos de acolhimento e de bênção”, conta o prior.

No domingo a cidade acordará ao som de uma alvorada de foguetes, sendo celebrada então missa campal no largo de São Francisco, pelas 10h, seguindo-se a procissão para o Monumento a Duarte Pacheco, acompanhada pela Banda da Casa do Povo de Lavre de Montemor-o-Novo.

Pelas 12 horas será ali celebrada nova eucaristia e às, 16h, será então celebrada a eucaristia solene, como acontece anualmente, presidida pelas 16h pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, com a consagração a Nossa Senhora, seguindo-se a procissão de regresso ao santuário mariano, acompanhada pela Banda Filarmónica Artistas de Minerva.

Ao esforço dos homens oito homens, vestidos de calças e opas brancas, que transportam a imagem da Pietá algarvia, alia-se a força espiritual dos muitos milhares de fiéis que, em vivas inflamadas a Nossa Senhora da Piedade, acenando lenços ou em passo vivo e na cadência musicada dos homens da banda, «empurram», calçada acima no calor da fé, o pesado andor da padroeira.

À chegada ao Santuário e junto à ermida, caberá ao padre António de Freitas fazer a pregação de encerramento.

Segue-se o regresso, em marcha, de todos com a banda até ao centro da cidade e as festividades de Nossa Senhora da Piedade –, que constituem uma tradição com provável origem em 1553, data oficial da edificação da capela que lhe é dedicada –, terminarão pelas 23h com um espetáculo de fogo-de-artifício junto àquela capela.

Recorde-se que a Diocese do Algarve também já solicitou à Santa Sé que Nossa Senhora da Piedade, popularmente conhecida como Mãe Soberana, seja declarada sua co-padroeira, juntamente com o diácono e mártir, São Vicente, e o processo está a seguir os trâmites normais.

Já foi também iniciado o processo de integração da festa da Mãe Soberana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

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