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As festividades no Algarve em honra de Nossa Senhora do Carmo encerraram-se ontem com as eucaristias em Faro e Tavira, promovidas pelas respetivas Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Monte do Carmo, mas este ano sem as tradicionais procissões pelas principais ruas das duas cidades devido à pandemia de Covid-19.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Em Faro, a celebração foi presidida na igreja do Carmo pelo cónego César Chantre, vigário-geral da Diocese do Algarve, em representação do bispo diocesano, ausente por razões de saúde, e contou, como acontece sempre, com a participação do Destacamento Territorial de Faro da Guarda Nacional Republicana, força de segurança que tem Nossa Senhora do Carmo por padroeira.

Na eucaristia, o sacerdote destacou a Virgem como a “Mãe que sempre inspirou os cristãos em todas as épocas, particularmente em épocas difíceis da história humana”. “Mesmo antes de nascer Jesus Cristo, mesmo antes da Virgem Santa Maria, já a Sagrada Escritura nos apontava para esta «Estrela do Mar»”, referiu.

O cónego César Chantre lembrou também a fundação dos carmelitas “em circunstâncias particularmente difíceis e belas”, no Monte Carmelo, o “jardim de Deus”, que tem como “flor extraordinária” Nossa Senhora. “Em finais do século XII, princípios do século XIII, por força das circunstâncias difíceis para os cristãos, por força da perseguição, da dispersão dos cristãos, os carmelitas tiveram de abandonar o seu Monte Carmelo, espalharam-se pelo mundo ocidental, particularmente na Europa, particularmente em Inglaterra”, afirmou, lembrando ter sido a partir da perseguição que se propagou a Ordem do Carmo.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Seria tão bom que regressássemos ao pensamento do Carmelo. Seria tão bom que o planeta nos descobrisse a nós como jardim de Deus. Compete-nos a nós exercer essa missão”, concluiu.

No final da celebração, o frei Pedro Bravo, assistente espiritual da Ordem do Carmo, lembrou todos aqueles que gostariam de ter ali estado, mas não puderam. “Não estão aqui muitos presentes fisicamente porque estão presentes na nossa oração. Sobretudo o nosso coração e o nosso olhar vai para aqueles que estão a passar dificuldades e há muita gente a passar dificuldades muito grandes”, afirmou, garantindo a intercessão de Nossa Senhora. “Maria também está de pé, junto à cruz do seu filho que está a sofrer, e n’Ele vê o sofrimento da humanidade porque ela está presente numa atitude atenta e disponível de serviço”, referiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Neste sentido, o sacerdote carmelita acrescentou que os “confrades do Carmo” são também chamados a “ser uma presença fraterna junto daqueles que passam necessidade” e a olharem para os seus irmãos. “Andamos todos agora com máscaras. Talvez isso nos ajude a olhar mais nos olhos uns dos outros”, afirmou, confessando que gostaria de ver a presença também de “muitas mais caras jovens”. “Vamos também trabalhar nesse sentido, dando um espaço aos jovens para que eles possam atuar, expressar-se e entrar com a sua criatividade, novidade, entusiasmo, solidariedade e entrega”, concluiu, na eucaristia concelebrada também pelo padre Luís Gonzaga, assistente da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Faro, e assistida pelo diácono Luís Galante.

Em Tavira, o pároco das paróquias da cidade e assistente da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, padre Miguel Neto, presidiu ontem à noite à eucaristia campal no largo da igreja do Carmo.

As festividades em honra de Nossa Senhora do Carmo em Faro e Tavira foram celebradas com programas que tiveram início, respetivamente, nos dias 4 e 7 deste mês. Em Faro, as atividades marcaram a reabertura da igreja de Nossa Senhora do Carmo, encerrada desde meados de março, e incluíram uma novena em honra da padroeira, tal como em Tavira.

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