
O bispo do Algarve presidiu à celebração dos Fiéis Defuntos, na passada sexta-feira, 2 de novembro, no cemitério da Esperança, em Faro, e garantiu que a “melhor oração” pelos falecidos é a caridade.

“Às vezes esquecemos que a melhor oração pelos defuntos é o bem que fazemos aos outros, é a caridade. Os gestos fraternos, solidários, de amor e de caridade com quem precisa são como uma oração que vai diretamente ao coração de Deus Pai”, afirmou D. Manuel Quintas na eucaristia a que presidiu no cemitério, realçando a importância da “autenticidade de um gesto de amor feito com desprendimento, também por intenção daqueles que já faleceram”.

O prelado frisou que “a melhor oração para sufragar a alma daqueles que já partiram” são os “gestos de perdão, de paz, de reconciliação, de paciência e de acolhimento” e, sobretudo, aqueles que são “expressão das obras de misericórdia corporais e espirituais”. “O esforço por sermos melhores do que somos também pode reverter em sufrágio daqueles que o Senhor já chamou”, sustentou perante centenas de pessoas que participaram na celebração.

D. Manuel Quintas começou por se referir ao núcleo central da fé cristã, evidenciado de modo especial naquela comemoração. “O fundamento da nossa fé é que a vida não acaba com a morte, apenas se transforma. E o facto de estarmos aqui hoje e de rezarmos por aqueles que já faleceram é uma expressão da nossa fé”, afirmou, justificando essa certeza. “Jesus, com a sua morte na cruz e a sua ressurreição, mostrou-nos o rosto deste Pai, o rosto de um Deus, de tal modo grande no amor, que nos comunicou uma esperança inquebrantável que nem a morte pode prejudicar, porque a vida de quem se entrega a este Pai abre-se à perspetiva da eternidade”, prosseguiu.

O bispo do Algarve referiu-se, por isso, à “fé em Cristo ressuscitado”. “É aí que nós vamos buscar a luz, a luz do batismo e a luz da nossa vida”, observou, destacando que “a fé verdadeira é o encontro com a pessoa de Jesus”. “Por vezes acontece que rezamos tanto, até participamos na missa todos os domingos, e às vezes durante a semana, mas não nos encontramos com Cristo. Falta este encontro pessoal, não criamos espaço dentro de nós para acolher a presença de Cristo”, alertou na eucaristia concelebrada pelo vigário geral da diocese algarvia, o cónego Carlos César Chantre, e participada também pelo diácono Rogério Egídio.

D. Manuel Quintas fez ainda, neste contexto, um apelo à esperança do encontro com Deus. “É esta esperança que a própria morte nos projeta nessa vida sem fim, nessa eternidade”, explicou, constatando que “a esperança que é algo que transforma a vida” dos cristãos.

A Igreja Católica evoca a 2 de novembro a memória de todos os fiéis defuntos, com muitos fiéis a cumprir a tradição de visitar os cemitérios, onde foram sepultados os seus familiares e amigos, e participar em celebrações religiosas.

A Igreja Católica deixa aos fiéis, desde 1963, a liberdade de escolher a cremação do seu próprio corpo, embora prefira “a antiga tradição cristã” da sepultação.
A Santa Sé publicou em 2016 uma instrução sobre a sepultura, recordando a proibição de espalhar as cinzas da cremação e a necessidade de conservá-las nos cemitérios ou locais sagrados.
com Ecclesia