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Rehab4lifeUm fisioterapeuta do Algarve abriu em Faro um centro de reabilitação intensiva para crianças com lesões e doenças graves e tem em curso uma campanha na Internet para angariar verbas para um fundo que ajude a pagar os tratamentos.

“O nosso objetivo é conseguir 17.500 euros até janeiro de 2014 para pagar 50% do preço das terapias intensivas a dez crianças”, disse à agência Lusa Mário Afonso, responsável pelo Centro Internacional de Medicina Física e Reabilitação Intensiva – Rehab4life.

O centro abriu em junho deste ano e está a receber crianças de vários pontos do país e até do estrangeiro, como Tóquio (Japão) ou Londres (Inglaterra).

O conjunto de terapias Rehab4life é indicado para a paralisia cerebral, autismo, atrasos no desenvolvimento, espinha bífida, acidente vascular cerebral, epilepsia, síndrome de Down, hidrocefalia, entre outras doenças, e custa, no centro de Faro, 3.500 euros por cada terapia intensiva, enquanto a média na Europa é de oito mil euros e nos EUA é de cerca de 14 mil dólares.

Gabriel Sousa, de três anos, de Vila Nova de Santo André (Sines) tem um quadro clínico de paralisia cerebral, mas ainda sem diagnóstico comprovado, e é apenas uma das crianças que irá usufruir do fundo social, porque na família só o pai trabalha e é difícil pagar 3.500 euros, três vezes por ano, e ainda vir viver para o Algarve durante o mês do tratamento intensivo, explicou à Lusa Eduardo Sousa, pai da criança.

O mentor do projeto, Mário Afonso, explicou que decidiu abrir o centro em Faro também para ajudar a sobrinha de quatro anos que sofre de paralisia cerebral e agora dedica-se a ajudar as crianças através da fisioterapia, mas também através da recolha de donativos para o fundo social.

O ciclo de terapia intensiva, que dura 21 dias úteis, com três a cinco horas diárias de tratamento, surgiu inicialmente na Polónia, na década de 70, quando os astronautas russos, após passarem centenas de dias no espaço, perdiam força muscular com a falta de gravidade.

No método, Mário Afonso e a sua equipa médica, usam a hidroterapia nas piscinas de Olhão, hipoterapia numa quinta com cavalos em Vale do Lobo, mas também reabilitação cubana, terapia ocupacional e fisioterapia com auxílio de ortóteses de vestuário, onde até criaram uma espécie de fato de astronauta para crianças, com a ajuda de costureiras do Algarve, e registaram a patente.

Com apenas um ciclo de terapia intensiva, o pequeno Gabriel, que não abria a mão ou sequer conseguia rebolar para se virar, começou a fazer progressos que hoje são classificadas como “grandes vitórias”, afirma o fisioterapeuta, referindo que aquele menino está no ‘top’ na escala, porque fez progressos em 15 dias que se programava só serem registados ao fim de um mês.

“Dar a volta sozinho foi um passo de gigante”, conta o pai, recordando que os primeiros passos assistidos que o filho deu aconteceram no mesmo dia em que Rui Costa venceu a Volta à Suíça em bicicleta – 16 de junho – e que o ciclista doou a sua camisola amarela para um leilão, cujas verbas revertem em 100% para o pequeno Gabriel.

O fundo social Rehab4life foi criado para ajudar as famílias com dificuldades financeiras e que enfrentam “grandes constrangimentos para frequentar o protocolo Rehab4life”, explica Mário Afonso, acrescentando que no espaço de um mês conseguiram angariar 5.200 euros.

No final do ano e início de janeiro os fundos angariados vão ser distribuídos tendo “em consideração as situações económicas e sociais das famílias”, adianta Mário Afonso, que aos 25 anos afirma “trabalhar por paixão”.

Para ajudar as crianças, os interessados podem ir à página da Internet na rede social Facebook ou enviar um email para geral@icrehab4life.com.

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