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O livro procura explicar a origem da Festa da Páscoa algarvia, sobretudo da procissão que em São Brás de Alportel, com a realização da Procissão das Tochas Floridas, assume contornos de uma das maiores manifestações do género no país.

A obra, que aborda também um pouco a origem histórica da procissão de Nossa Senhora da Piedade em Loulé, vulgarmente designada de Mãe Soberana, mostra que em todas as paróquias algarvias realizava-se, até à implantação da República, a procissão da Páscoa e explica que, o que hoje assumiu uma dimensão especial em São Brás de Alportel (como noutras localidades do país), antigamente era comum a todo o Algarve. Portimão, Lagoa, São Brás de Alportel e Olhão rivalizavam com grandes festas.

O livro explica que a República proibiu estas manifestações e nalguns casos as tradições levaram 40 anos a serem retomadas com o apoio das crianças e dos jovens.

Na cerimónia de apresentação da publicação, o vereador da Cultura da Câmara Municipal de São Brás de Alportel destacou o “grande trabalho de investigação” realizado. Vitor Guerreiro considerou que “todos os saobrazenses devem reconhecer todo o trabalho que tem sido feito em prol da cultura e da história” do concelho pelos dois investigadores e garantiu que “São Brás tem ganho bastante com isso”. “Temos aqui mais uma obra que fará com que perdure na memória dos nossos sucessores as nossas tradições e a nossa cultura”, frisou.

Também o padre Firmino Ferro, vigário geral da Diocese do Algarve, lembrou o contributo dos sacerdotes no estudo e investigação das tradições algarvias.

O padre Afonso Cunha Duarte destacou os capítulos da Festa da Páscoa em Portugal e no Algarve como os mais complicados porque requereram muita documentação, tendo sido necessário procurar a informação fora do Algarve e garantiu que a investigação levou 15 anos.

O padre José Cunha Duarte explicou na cerimónia, que contou ainda com a presença dos padres Eduardo Miranda Ferreira e John Kingston, do Conselho Geral da Congregação do Espírito Santo – em visita canónica a todos os espiritanos em Portugal –, que o novo livro “não é litúrgico nem teológico, mas um subsídio para a história da Páscoa” e desejou que o mesmo contribua para “mentalizar as pessoas de que estamos perante uma procissão religiosa [das Tochas Floridas em São Brás de Alportel] que merece respeito”.

Composto por 364 páginas com encadernação de luxo, o livro aborda a origem e evolução da Páscoa através dos séculos, a Páscoa no Algarve, a Páscoa em São Brás, a Páscoa em Silves, as tochas floridas, os jogos florais de São Brás de Alportel, as tradições como as amêndoas tenras, a representação teatral da Ceia de Cristo, entre outras.

O padre José da Cunha Duarte garante que é a última publicação que faz para o Algarve porque não têm apoios. A edição é da Casa da Cultura António Bentes de São Brás de Alportel que contou com um subsídio da Câmara Municipal de São Brás de Alportel no valor de 5000 euros.

No entanto, em projecto está já a edição de uma outra publicação sobre a Festa do Corpo de Deus, podendo ser editado fora do Algarve por uma Câmara que não quis divulgar.

O novo livro está à venda na livraria de São Brás por 20 euros.

Samuel Mendonça

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