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Orientada pelo padre Carlos de Aquino, coordenador do Departamento da Pastoral Litúrgica da Diocese do Algarve, a iniciativa, sobre a “Dimensão celebrativa da catequese”, teve lugar no Seminário de Faro e contou com a participação de 26 catequistas das paróquias de Moncarapacho, Olhão, São Luís de Faro, São Pedro de Faro e Sé de Faro.

À FOLHA DO DOMINGO, o padre Carlos de Aquino explicou que a formação procurou “ajudar as pessoas a perceberem a verdade daquilo que devem celebrar”, a entenderem o “fundamento da liturgia enquanto expressão, atualização e celebração” e as “exigências” que daí advêm para a vida. “É preciso partirmos da verdade daquilo que é a celebração”, sustentou, acrescentando que a verdade litúrgica passa pela “beleza”, pela “verdadeira arte” e pela “nobre simplicidade”.

O sacerdote acrescentou que se procurou “compreender e educar para a importância e fundamento das várias formas expressivas – verbais, simbólico-gestuais e musicais – que compõem a celebração” e discernir “as que serão justas e corretas na sua verdade para serem valorizadas no contexto de uma celebração”.

No encontro foi também feita uma catequese sobre os vários sentidos no contexto da celebração cristã. “São pouco explorados e demos algumas orientações práticas”, explicou o formador, adiantando que a ação, na qual foi percorrido o itinerário catequético de 10 anos e os objetivos de cada etapa, concluiu-se com uma abordagem aos vários sinais litúrgicos e à sua valorização. “Nem todos os sinais são simbólicos e nem todos, em nome da criatividade e da valorização litúrgica, devem ser utilizados no contexto de uma celebração cristã”, advertiu.

O padre Carlos de Aquino chamou ainda a atenção para as festas previstas na caminhada catequética. “Todos os catecismos estão estruturados numa vertente celebrativa e vai-se notando que isso é uma preparação para a celebração comunitária: a Eucaristia. É muito importante, os catequistas –, para poderem educar bem as crianças e preparem bem a celebração que move as várias festas da catequese – entenderem que essas festas não são justapostas à realidade da comunidade que já reúne para a celebração eucarística”, alertou, explicando que a formação pretendeu também “valorizar, de modo prático, cada festa que já se realiza na catequese”.

O liturgista destacou que este trabalho tem de ser realizado em “comunhão e unidade” com o pároco e com os restantes grupos e ministérios da comunidade, considerando que os erros litúrgicos cometidos são, sobretudo, responsabilidade do pároco. “A responsabilidade não é só dos catequistas ou laical, é presbiteral porque aquele que preside à comunidade é o padre que é o primeiro formador, pedagogo e orientador da celebração”, constatou.

“Há uma imensa riqueza proposta pelo magistério da Igreja no missal, para um enriquecimento celebrativo, que não é utilizada porque não se prepara antecipadamente e porque a catequese não ajuda, pedagogicamente, ao entender dos gestos, dos sinais e da importância das palavras. Depois, sai tudo muito rotineiramente e não na expressão que deve assumir”, criticou.

O padre Carlos de Aquino lembrou que, em primeiro lugar, “a liturgia e a celebração cristã é uma ação de Deus que chama e se faz presente”. “Às vezes, não valorizamos bem esta presença pelo modo como estamos na celebração, pelo modo como se preside, se reza, se celebra os gestos e se acolhe os sinais”, lamentou.

A mesma ação de formação volta a realizar-se no dia 4 de fevereiro para os catequistas da vigararia de Portimão (composta pelas paróquias dos extremo barlavento algarvio).

Também chamada arciprestado ou ouvidoria, a vigararia é uma circunscrição eclesiástica de que fazem parte várias paróquias ou quase paróquias (vicariatos).

Samuel Mendonça

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