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O padre Miguel Neto defende que, quando a pandemia acabar, a presença catequética no digital deverá permanecer porque “toda a gente continuará a estar” naquele ambiente.

O diretor do Secretariado das Comunicações Sociais e da Cultura da Diocese do Algarve alertou que “a catequese no ambiente físico não deve esquecer a catequese no ambiente digital”, mas “tem de ser complementar”. “Tem de haver correspondência entre diferentes ambientes. Este é o grande desafio”, considerou, acrescentando, não obstante, que “a catequese no ambiente digital não substitui a catequese noutros ambientes, por exemplo no físico”.

O sacerdote foi o orador de uma ação de formação online para catequistas promovida na passada sexta-feira, 4 de dezembro, pelo Sector da Catequese da Infância e Adolescência da Diocese do Algarve. A iniciativa, com transmissão página da rede social Facebook do jornal Folha do Domingo e que chegou a contar com a participação de 118 pessoas em simultâneo, abordou o tema “Catequese em ambiente digital”.

O orador, que escreveu a sua tese de mestrado sobre ‘A Igreja na Sociedade em Rede – Perspetivas teológicas a partir do estudo de Manuel Castells’, alertou, no entanto, para “não transportar para o ambiente digital metodologias de outros ambientes”. “Evangelizar no ambiente digital tem de usar conceitos diferentes de evangelizar no ambiente físico. O evangelho é o mesmo. A forma como nós o apresentamos, a linguagem, as dinâmicas, os materiais têm de ser diferentes, não podem ser os mesmos”, advertiu.

O padre Miguel Neto referiu que “no processo do anúncio do evangelho, a verdadeira questão não é utilizar as novas tecnologias para evangelizar”, mas “como se tornar uma presença evangelizadora no continente digital”. Nesse sentido, considerou que “o desafio da evangelização é exatamente o da inculturação no continente digital” e disse ser “importante também para a catequese educar para uma vivência cristã no ambiente digital”.

O formador defendeu ainda que “a catequese no ambiente digital é menos centrada na figura do catequista e mais centrada na de Jesus Cristo”. “O objetivo na catequese em ambiente digital não é o catequista ser intermediário entre o jovem ou a criança e Jesus Cristo, mas é que haja uma ligação direta entre o jovem ou a criança e o próprio Jesus Cristo”, sustentou.

O sacerdote, que considerou que o “ambiente digital pode ser meio de oração e de santificação”, defendeu que, “cada vez mais, a paróquia é uma comunidade de afetos e não uma comunidade territorial”. “Tem a ver com o ambiente digital, mas também com a era da mobilidade”, explicou, considerando que “estão as duas ligadas”.

O formador lembrou que a vida é “feita de virtualidades” e que “na rede tudo é real e virtual”. “É real na medida em que influencia a nossa vida do dia-a-dia”, sustentou, definindo “nativo digital” como alguém que usa a tecnologia como algo “tão normal que já não tem necessidade de sair dela” e “imigrante digital” como “aquele que está sempre a converter para a realidade física aquilo que apreende no ambiente digital”.

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