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Francisco_amaralO presidente eleito da Câmara de Castro Marim, Francisco Amaral, acusou hoje o Governo de tomar medidas “desumanas”, quando dá instruções para encerrar as extensões de saúde de freguesias da serra algarvia, como Odeleite e Azinhal.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Amaral disse estar solidário com os presidentes das duas juntas de freguesia, Valter Matias (Odeleite) e António Baltasar (Azinhal), que convocaram um protesto da população contra o encerramento das duas extensões, junto às instalações da Administração da Região de Saúde (ARS) do Algarve, em Faro, para terça-feira.

Os autarcas, todos eleitos pelo PSD nas últimas eleições, convocaram o protesto depois de terem sido “apanhados de surpresa” e informados “em cima da hora” pelo Agrupamento de Centros do Sotavento Algarvio, que engloba o Centro de Saúde de Castro Marim, de que as duas extensões iriam deixar de funcionar na segunda-feira passada, tendo a população que ser atendida na sede de concelho, explicou o presidente da Junta de Odeleite.

António Baltasar lamentou que, “só na segunda-feira, com a sala de espera com 35 a 40 utentes, tenham telefonado a dizer que o médico não iria ao Azinhal dar consultas, a extensão iria encerrar e os utentes que quisessem ser atendidos teriam que se deslocar a Castro Marim, Altura (freguesia do litoral) ou a Vila Real de Santo António (concelho vizinho)”.

“Isto é desumano. Os cortes não podem ser cegos e não devem penalizar uma população idosa, sem recursos, sem transporte e que vai ser muito prejudicada”, afirmou o presidente da Câmara eleito, anunciando que irá reunir-se com responsáveis da ARS do Algarve, no dia do protesto da população, para tentar convencer a administração a reabrir essas extensões.

Francisco Amaral criticou ainda a decisão do encerramento das extensões de saúde por darem mais uma “machadada” para a desertificação da serra algarvia, em freguesias já por si “muito envelhecidas e afetadas pela perda progressiva de população”, com o “falso argumento” por parte da ARS do Algarve e do Governo de que o transporte desses utentes resolve o problema.

Os autarcas dizem não poder assegurar esse transporte, enquanto o presidente da Câmara eleito, que esteve cinco mandatos à frente do município vizinho de Alcoutim, alerta para o que aconteceu quando o Governo decidiu encerrar as extensões que havia nas freguesias alcoutenejas de Giões e Pereiro.

“Já assisti a isso em Alcoutim: mesmo com uma carrinha a fazer o transporte, muitas das pessoas, idosas com 80 ou 90 anos, não se deslocam porque lhes custa muito fazer esses quilómetros. E o que vimos não foram melhores cuidados a essas pessoas, mas sim hipertensões e diabetes descontroladas por falta de acompanhamento”, acrescentou Francisco Amaral.

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