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Fundação Millennium BCP paga restauro de tela de capela da igreja de S. Pedro de Faro

A Fundação Millennium BCP vai custear o restauro da tela que emoldura o altar de Nossa Senhora da Vitória, na igreja de São Pedro de Faro.

O protocolo entre a fundação e a paróquia de São Pedro de Faro foi celebrado no passado sábado, numa cerimónia que decorreu na própria igreja.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da Fundação Millennium BCP explicou que a proposta de mecenato partiu da Direção Regional de Cultura do Algarve. “Temos o dever de preservar o que os nossos antepassados, muitas vezes com enormíssimos sacrifícios, conseguiram edificar para que pudéssemos, nos dias de hoje, usufruir daquilo que foram as suas obras”, considerou Fernando Nogueira na cerimónia, lamentando que o Algarve “não tenha uma tradição muito intensa de cuidar bem do seu património”. “Julgo que isso está a mudar. Acredito, não só que isso é uma condição para a dignidade do Algarve e das pessoas que aqui habitam, mas também uma condição de garantir um melhor futuro”, acrescentou.

“Gostaria muito que todos sentíssemos um enorme orgulho e satisfação no dia em que o cónego César Chantre nos puder exibir, com orgulho e satisfação, o painel «Boca de Cena» do altar de Nossa Senhora da Vitória totalmente restaurado e recuperado depois da tragédia que nos foi mostrada em fotografias. Como é possível deixar o património degradar-se ao ponto que este se estava a degradar?”, prosseguiu.

Considerando que “o altar de Nossa Senhora da Vitória é um dos elementos mais preciosos” daquele Monumento de Interesse Público, manifestou o seu contentamento “por ter ajudado a fazer algo que era de extrema importância para a vitalidade e para a preservação da história desta comunidade”.

Aos órgãos de comunicação social, Fernando Nogueira explicou que ser património classificado é condição indispensável para ter o apoio da fundação que representa. “Procuramos ajudar os projetos de qualidade que nos surgem e que têm a chancela dos organismos oficiais da cultura, como foi o caso”, elucidou, acrescentando que a fundação procura “dar prioridade àquilo que o Estado considera prioritário”.

A diretora regional de Cultura do Algarve explicou que o Museu Municipal de Faro é um “importante parceiro no acompanhamento destes trabalhos de recuperação do património”. Alexandra Gonçalves adiantou que “os métodos, as técnicas e os materiais propostos deverão ser reversíveis”, bem como os materiais aplicados deverão ser “compatíveis com os originais”.

Aquela responsável lembrou que a fundação primitiva da igreja de São Pedro é de 1518, “consistindo então numa pequena capela fundada por pescadores residentes no então Bairro da Ribeira”, e que o templo atual “resulta da sua reedificação pela Ordem de Santiago na segunda metade do século XVI, já de acordo com o formulário da arquitetura maneirista e das alterações introduzidas após o terramoto de 1755”. A capela, agora intervencionada, “esteve a cargo da Corporação do Corpo Santo também conhecida por Compromisso Marítimo, cujos responsáveis contrataram em 1758 com o mestre entalhador farense António Ferreira de Araújo a feitura do retábulo”, complementou, sublinhando que o conjunto da tela do século XVIII, cuja autoria é desconhecida, e moldura da capela de Nossa Senhora da Vitória “representa um dos melhores exemplares do rococó da cidade de Faro”.

Nas fotografias que apresentou, a conservadora-restauradora do Museu Municipal de Faro, explicou que a pintura cenográfica a óleo, que terá sido feita posteriormente ao retábulo, estava cravada de pregos oxidados que a deterioraram. Em muitas zonas, já desprendida, ficou deformada e tinha a tinta a destacar. Susana Paté acrescentou que a tela, muito remendada, contém “imensos repintes”, o que denuncia anteriores intervenções, tendo sido alvo de infiltrações de água e de fumo de velas. Também o tabuado onde estava fixada já estava infestado de xilófagos e a própria argamassa da parede onde este assenta apresenta zonas de deterioração. Susana Paté disse ainda que a empresa responsável pelo restauro da tela irá tentar determinar a datação da sua pintura.

Aos jornalistas, o pároco de São Pedro de Faro disse que os seus antecessores “tudo fizeram” para preservar o “património muito vasto” da paróquia. “Eu tinha que continuar o trabalho deles”, acrescentou o cónego Carlos César Chantre, adiantando que irá tentar incluir neste financiamento o restauro da pintura da Última Ceia, que também disse estar em avançado estado de degradação.

O restauro da tela da capela de Nossa Senhora da Vitória está orçamentado em 23.470 euros (valor a que acrescerá o IVA), sendo 7.500 mil euros pagos em 2017 e 15.970 em 2018 pela Fundação Millennium BCP, que neste momento apoia ainda no Algarve mais dois projetos: as recuperações do Castelo de Paderne e de uma tela do Museu Municipal de Faro.

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