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Fundadores do movimento ‘Famílias de Caná’ desafiaram as famílias algarvias à santidade

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Foto © Samuel Mendonça

Os fundadores do movimento ‘Famílias de Caná’ vieram ao Algarve desafiar as famílias algarvias a «voar» rumo ao céu, ou seja, rumo à santidade.

“A família de cada um de nós é o «voo» certo para chegar ao céu”, afirmou Teresa Power, casada há 20 anos com Niall Power, irlandês, com quem tem seis filhos, mais um falecido com um ano de idade que disse já lá estar e que no passado sábado completaria 13 anos. “É no céu que ele espera por nós, é lá a nossa verdadeira casa, é lá que nós todos nos vamos encontrar com o Tomás”, destacou quando relatou a morte do seu terceiro filho ocorrida poucos meses depois de lhe ter sido diagnosticado um tumor cerebral maligno.

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Foto © Samuel Mendonça

“O Tomás continua a fazer parte da nossa família”, realçou aquela mãe, considerando que, não obstante o sofrimento, Deus os preparou previamente, por inspiração da frase bíblica “Vou levar-te ao deserto e falar-te ao coração” (Os 2, 16), para aquele “tempo de completa loucura”e que, por isso, no seu funeral conseguiram “soltar balões, fazer festa, cantar as suas canções preferidas”. “Todos os dias, quando acabamos a nossa oração, pedimos-lhe: «Tomás, reza por nós». E quando estamos em casa neste dia fazemos um bolo e cantamos-lhe os parabéns”, testemunhou no encontro que reuniu cerca de 300 pessoas no salão da paróquia de São Luís, em Faro, oriundas sobretudo das paróquias anfitriã, de São Pedro e do Montenegro, para além de famílias de outros pontos do Algarve.

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Foto © Samuel Mendonça

Teresa Power indicou então o «combustível» para chegar ao céu, desafiando cada um dos membros do casal a “adquirir aquilo que o outro tem de melhor, as suas virtudes e não os seus defeitos”. “Isto é o «gasóleo» nesse «voo» que nos leva à santidade”, assegurou no encontro promovido pela paróquia de São Pedro, em colaboração com as restantes paróquias da cidade.

Considerando não ser hoje mais difícil educar uma criança do que no tempo da II Grande Guerra ou no tempo da Peste Negra, a oradora lamentou o “medo moderno” de se ter filhos. “Claro que não basta termos filhos, é preciso termos tempo para eles”, sustentou, aludindo a um dos aspetos mais queridos das ‘Famílias de Caná’: ter tempo para os filhos. Teresa Power contou, por isso, que em sua casa a televisão “geralmente está desligada” para poderem ler ou brincar em família.

Clara Power, a filha de 16 anos, assegurou que também o momento da refeição “é muito importante” para se relacionarem. “Como não temos telemóvel – a não ser a minha mãe, o meu pai e o Francisco [irmão mais velho] –, a hora da refeição é quando contamos todas as novidades do dia”, explicou.

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Foto © Samuel Mendonça

Esclarecendo que na família Power o acesso ao telemóvel só é dado depois dos 18 anos, Francisco Power, de 19, acrescentou que os colegas lhe perguntavam sempre se não sentia falta de liberdade. “A verdade é que sempre senti exatamente o oposto. Não ter telemóvel, além de me dar mais liberdade, ainda me desenvolveu muito noutros sentidos: nunca tinha chamadas não atendidas da minha mãe para perguntar onde é que estava, como tinham os meus colegas, e também desenvolvi imenso o meu sentido de responsabilidade”, testemunhou, destacando ainda a importância do contacto com a natureza por não estar constantemente a ver televisão, nem ter Playstation.

Teresa Power, por outro lado, considerou as relações entre irmãos a “melhor forma” de ajudar os filhos “a não terem problemas na vida”. “Enquanto estão a competir por um baloiço, estão a discutir num ambiente de amor incondicional onde o amor é absoluto e ao fim do dia está tudo bem”, sustentou, considerando que a aprendizagem da resolução de problemas apenas na escola, “onde o amor já não é incondicional”, pode levar ao bullying e a “uma série de outros problemas” identificáveis também na idade adulta, com “tanta gente que não sabe resolver conflitos no trabalho com os seus colegas”.

“Se podemos correr um bocadinho mais de risco, se temos «asas» e podemos «voar» um bocadinho mais alto, então vale a pena. É arriscado, mas vale a pena”, observou, desafiando os casais ao aumento da natalidade. “Conhecendo o Senhor como conheço, prefiro enganar-me por excesso do que por defeito. Prefiro chegar ao céu e Deus dizer-me «ó Teresa, não era preciso tanto», do que me dizer «que pena, tinha uma criança com problemas ou muito difícil para te fazer santa e tu recusaste»”, prosseguiu, lamentando que alguém possa fazer uma caminhada cristã de “uma vida inteira”, sem que “nunca tenha tido nenhuma formação merecedora desse nome sobre o que é que a Igreja diz sobre planeamento familiar”.

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Foto © Samuel Mendonça

Aquela professora de inglês, de 45 anos, considerou ainda que a abertura à vida inclui também a dos filhos dos outros. “Nas ‘Famílias de Caná’ procuramos sempre acolher os filhos dos outros que são tão amados por Deus e merecem tanto o nosso amor com os nossos”, afirmou, testemunhando ter acolhido no verão em casa um aluno e a irmã, cujos pais ficaram em prisão domiciliária. “No verão levámo-los à praia todos os dias, a acampar, à montanha. Tiveram umas férias como nunca tinha tido. Afeiçoámo-nos muito a eles”, contou, acrescentando que os pais já foram notificados de que terão mesmo de cumprir pena de prisão efetiva. “Quando eles forem [detidos] o André e a Raquel vão para a nossa casa. Portanto, durante mais um ano, mais ou menos, vamos ter mais filhos lá em casa”, testemunhou, questionando: “será que nós, os cristãos, fazemos tudo para ajudar aqueles que precisam, para servir onde é preciso?”. “Nós chamamos a isto, usando uma expressão do papa Francisco, sermos famílias-cântaro, famílias que levam o «vinho novo» de Jesus aos outros”, acrescentou.

Considerando que “a família está a sofrer dos maiores ataques de toda a história”, a fundadora das ‘Famílias de Caná’ explicou que “todas as famílias são bem-vindas” ao movimento, “esteja tudo bem dentro dos cânones da Igreja Católica ou não”. Neste sentido disse acolherem “famílias recasadas” e monoparentais.

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Foto © Samuel Mendonça

No intervalo do encontro de duas horas e meia, que teve início com a recitação de um mistério do rosário (oração diária naquela família) e que incluiu momentos musicais e de ilusionismo, os Power foram presenteados com um bolo de aniversário para o Tomás, a quem os presentes cantaram os parabéns.

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