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Gastão Cruz vence primeiro Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho da APE

O livro “Existência”, de Gastão Cruz, foi ontem distinguido com o Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho, atribuído pela primeira vez pela Associação Portuguesa de Escritores.

O galardão tem, na edição inaugural, um prémio monetário de 12.500 euros, patrocinado pela Câmara de Loures, e distinguiu a obra editada pela Assírio & Alvim, em 2017.

Em comunicado, a organização nota que a escolha do júri recaiu sobre Gastão Cruz da parte do professor, ensaísta e poeta António Carlos Cortez, e da professora Rita Patrício, enquanto o outro membro do júri, o escritor Fernando J. B. Martinho, votou em “A Noite Imóvel”, de Luís Quintais, também editado pela Assírio & Alvim.

Nascido em Faro, em 1941, o poeta e ensaísta licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e trabalhou como professor do ensino secundário, tendo dirigido, ao longo de quase três décadas, a companhia Teatro Hoje, que ajudou a fundar, depois instalada no Teatro da Graça, tendo encenado peças de dramaturgos como August Strindberg e Anton Tchékhov, além do romance “Uma Abelha na Chuva”, de Carlos de Oliveira.

De 1980 a 1986 foi leitor de português no King’s College, na Universidade de Londres.

Esteve nas greves académicas, em tempos de ditadura, em particular na Crise Académica de 1962, da Academia de Lisboa, e entrou na Antologia de Poesia Universitária, ao lado de Ruy Belo, Fiama Hasse Pais Brandão e Luiza Neto Jorge.

Foi um dos redatores do jornal Grafia, da Pró-associação de Letras, no início da década de 1960, com autores como Eduardo Prado Coelho e Fiama Hasse Pais Brandão. A publicação de resistência contou igualmente com colaborações de Sottomayor Cardia, Luísa Ducla Soares, Luiza Neto Jorge, entre outros, e só pelo “facto de existir já era resistir”, lê-se na página do escritor Mário de Carvalho, no Facebook.

Gastão Cruz preside, atualmente, a Fundação Luís Miguel Nava e dirige a revista literária Relâmpago.

“O gosto pelo teatro e pelo mundo da poesia ‘empurra-o’ para a tradução de títulos dramáticos de, entre outros autores, Strindberg, Shakespeare e Cocteau”, bem como para a organização de recitais de divulgação poética, lê-se na biografia publicada ‘online’ pela Assírio & Alvim.

Em 2018, o autor de “As Pedras Negras” ou “Crateras” recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, a última de uma série de distinções ao longo de décadas de poesia.

Recebeu o Prémio P.E.N. três vezes, em 1985 (“O Pianista”), 2007 (“A Moeda do Tempo”) e em 2014 (“Fogo”), além do Prémio D. Diniz, em 2000.

Recebeu pela primeira vez o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, em 2002, e o Grande Prémio de Literatura DST, em 2005. Em 2009, foi distinguido com o Prémio Literário Correntes d’Escritas.

“Existência” já tinha sido um dos 12 livros finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no Correntes d’Escritas, o sucessor de “Óxido”, lançado em 2015.

Gastão Cruz juntou a poesia em 2009 no volume “Os Poemas Reunidos”.

O autor de títulos como “A Morte Percutiva” (1961), “A Poesia Portuguesa Hoje” (1973), “Campânula” (1978), “Órgão de Luzes” (1990), “Transe – Antologia 1960-1990” (1992) e “As Pedras Negras” (1995) tem também vários trabalhos marcantes como tradutor, por que recebeu o Prémio de Tradução da Casa da América Latina, por “Troco a Minha Vida por Candeeiros Velhos”, do colombiano León de Greiff.

A carreira enquanto ensaísta fica marcada pela publicação de “A Poesia Portuguesa Hoje”, em 1973, que atualizou seis anos depois numa segunda edição.

“A Vida da Poesia – textos críticos reunidos” (2008) é a mais recente recolha do seu trabalho ensaístico.

No ano passado, o Grande Prémio de Poesia da APE — Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, patrocinado pela Câmara de Amarante — distinguiu o livro “A dor concreta”, de António Carlos Cortez, publicado em 2016.

Em 2017, o vencedor foi Luís Quintais, pelo seu livro “Arrancar Penas a um Canto do Cisne”.

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