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A Associação de Agricultores de Faro e Concelhos Limítrofes, que reúne a maioria dos produtores de hortofrutícolas do Algarve, mostra-se descontente com os apoios anunciados segunda-feira pelo Governo, e fala de situações de pré-falência e desespero.

A gravidade do problema de seca é confirmada pelo segundo relatório de acompanhamento e avaliação dos impactos da seca em 2012, de 13 de março, que refere prejuízos em cerca de 50% dos hortícolas plantados nas estufas algarvias, “com especial relevância” em Faro e Olhão.

O documento aponta grandes prejuízos causados pela geada nas estufas e nas plantações ao ar livre, estimando-se uma quebra significativa na produção.

“Perdi 80% da plantação de tomate, mas isso corresponde a uma quase perda total, porque ninguém vai regar ou colher os 20% que sobraram”, contabiliza Paulo Cristina, que tem seis hectares de estufas nos arredores de Faro. Com uma produção perdida de 120 toneladas e o preço médio de venda do tomate a 45cêntimos/quilo, calcula em 54 mil euros o prejuízo, correspondente a meio ano de trabalho.

Preocupado com a sua própria subsistência, e já à beira da segunda plantação anual, o agricultor espera pela ajuda comunitária já aprovada pelo Ministério da Agricultura, mas queixa-se da falta de seguros adaptados para fazer face a este tipo de calamidades.

A presidente da Associação de Agricultores de Faro e Concelhos Limítrofes, Ana Lopes, lamenta que as companhias seguradoras não façam seguros adaptados a cada região, pois “cada zona do país tem a sua especificidade, a sua agricultura própria”.

“Em 2009 houve um tufão que me destruiu as estufas, em 2010 a produção foi quase toda para o lixo por causa da e-coli (bactéria descoberta em produtos agrícolas na Alemanha, que matou 52 pessoas e causou a diminuição drástica do consumo em Portugal), agora são as baixas temperaturas”, enumera o também agricultor Ezequiel Martins.

Ezequiel garante que, com família e empregados para sustentar, limita-se a “viver da esperança”, pois deixou de ganhar dinheiro há alguns meses.

“Além disso, tenho seis hectares de citrinos todos para jogar fora”, diz, sublinhando que nos dias de geada no fim de janeiro, teve que regar os laranjais todos os dias, mas nem isso ajudou. O que lhe falta em laranjas sobra agora em faturas de eletricidade para pagamento, com a energia e o IVA ao mesmo preço que a qualquer consumidor e não, como pretendia, a um “preço verde” especial para agricultores. “Com estas regas suplementares gasto 2.600 euros em energia a cada dois meses”, enuncia.

A situação é gravada com o mercado aberto, uma vez que, segundo Ezequiel Martins, “se há mais fruta irregular, as grandes superfícies não a querem e compram noutras regiões ou ao estrangeiro e os agricultores são obrigados a vendê-la em mercados secundários, a preços muito baixos”.

Descontente com o facto de as ajudas anunciadas tenham apenas em conta seis meses de carência à Segurança Social e uma devolução mais rápida do IVA, a presidente da Associação dos Agricultores do Centro Algarvio pede que os subsídios tenham em conta as perdas devidas ao mau tempo.

Liliana Lourencinho com Lusa

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