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O estudo "Geografia da Crise", do geógrafo João Ferrão, compara a situação das famílias e das empresas nos municípios do continente na época de pré-crise (2005/2007) e na fase inicial da crise (2009/2010).

Segundo o investigador e ex-secretário de Estado do Ordenamento do Território, o elevado desemprego e a elevada taxa de mortalidade das empresas na região são fatores que tornam a região "muito pouco resiliente" aos efeitos da crise.

"O Algarve no seu conjunto é uma das regiões onde a incidência da crise é mais intensa, em termos relativos", explicou o especialista à agência Lusa, sublinhando que os efeitos da crise se fazem sentir mais rapidamente nas empresas do que nas famílias.

Segundo João Ferrão, o número de empresas que fecham no Algarve é superior às que nascem, o que é mais um contributo para o desemprego e para agravar os efeitos da crise, o que depois se refletirá nas famílias.

"A situação das famílias hoje já piorou bastante em relação ao período pré-crise, mas previsivelmente vai continuar a piorar, dado que os efeitos daquilo que se está a passar hoje nas empresas se vai refletir daqui a um ou dois anos nas famílias", referiu.

Para perceber o efeito da crise nas empresas, o estudo comparou indicadores como o investimento industrial, a criação de riqueza e a demografia empresarial, ou seja, a natalidade e mortalidade das empresas, explicou o investigador.

O especialista defendeu a necessidade de acudir de imediato aos que são mais afetados pela crise, numa vertente mais reativa, mas alertou também para a importância da implementação de medidas proativas.

Para João Ferrão, qualquer estratégia de desenvolvimento a concretizar no Algarve tem que ter em conta estas duas componentes, acudindo "os que já estão mal", mas também preparando um futuro diferente.

"É da combinação destas duas componentes que se pode estimular um novo ciclo de prosperidade aqui no Algarve", concluiu o investigador.

Lusa

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