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“Não há provas absolutamente nenhumas de que Maddie esteja morta. Não fomos atingidos pelo que disseram os inspectores”, disse Gerry McCann aos jornalistas, visivelmente tenso.

Gerry contrariou assim os testemunhos dos três elementos da PJ ouvidos terça-feira no mesmo julgamento e frisou com veemência que não se pode afirmar que o casal tenha estado envolvido no desaparecimento da criança.

Referindo-se à sessão de terça-feira, que se prolongou por mais de sete horas, Gerry sublinhou a intervenção do procurador da República em Portimão, Magalhães Menezes, uma das quatro testemunhas apresentadas pela defesa para a oposição à argumentação da família McCann no processo.

“O mais importante é que o procurador disse que não existem provas da morte de Maddie. Não negamos que existiu a diligência dos cães, mas não se pode provar o nosso envolvimento no desaparecimento da nossa filha, tal como foi escrito no livro”, notou Gerry, acompanhado da mulher, Kate.

O pai de Madeleine McCann, desaparecida a 03 de Maio de 2007, na Aldeia da Luz, no Algarve, disse que “o julgamento é legal”, que o casal inglês procura “a protecção da família” e questiona: “Quem continua a procurar Maddie?”

Também à entrada para o Palácio da Justiça, Gonçalo Amaral, ex-coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão, expressou satisfação por ter conseguido o depoimento de “todos os inspectores que trabalharam na investigação”.

O ex-inspctor da PJ reiterou que está "confiante de que vai ser levantada" a providência cautelar de proibição de comercialização do seu livro "Maddie – a Verdade da Mentira" e do vídeo do documentário exibido na TVI, decretada a 09 de Setembro.

Depois das inquirições ao procurador Magalhães Menezes, aos inspectores Ricardo Paiva e Tavares de Almeida e ao coordenador superior de Investigação Criminal da PJ, Luís Nunes das Neves, a sessão de hoje permitirá a inquirição a mais seis testemunhas.

Além da audição na parte da manhã a Moita Flores, ex-inspector da PJ, serão ouvidos o criminalista José Manuel Anes, Luís Barreiras Sintra, o ex-funcionário da editora Guerra & Paz Mário Sena Lopes e Tânia Raposo, responsável da mesma editora.

Neste processo, que tornará definitiva ou revogará a decisão de proibir a venda do livro e do vídeo, a família McCann reclama na acção principal a protecção de liberdades, garantias e direitos.

Além de Gonçalo Amaral, são visadas a editora Guerra & Paz, a produtora Valentim de Carvalho e a TVI.

O livro "Maddie – A Verdade da Mentira" foi publicado em 2008 e lança a suspeita de que os pais da criança inglesa, que se encontrava de férias com os pais e os irmãos na Praia da Luz, terão participado na ocultação do cadáver.

Na qualidade de coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral integrou a equipa de investigadores que tentou apurar o que aconteceu a Madeleine.

Kate e Kerry McCann, que sempre mantiveram a posição de que Maddie foi raptada, foram constituídos arguidos em Setembro de 2007, mas acabaram por ser ilibados em Julho de 2008 por falta de provas para sustentar a hipótese avançada pelo inquérito de morte acidental da menina.

O Ministério Público arquivou o processo, que poderá ser sempre reaberto se surgirem novos dados considerados consistentes sobre o desaparecimento da criança.

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