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Gonçalo Amaral, que assistiu esta quarta feira às alegações finais do julgamento da proibição de comercialização do livro da sua autoria "Maddie – A Verdade da Mentira", observou que o processo "foi mal arquivado", ilibando Kate e Gerry McCann, indiciados de envolvimento no desaparecimento da filha.

"Sinto-me legitimado para pedir a reabertura", disse, à saída do Palácio da Justiça, após a última audiência do processo interposto pelos pais de Madelenie, que tem como ação principal a reclamação por parte da família inglesa de protecção de direitos liberdades e garantias.

Sem revelar quais os dados novos que julga serem consistentes para que o Ministério Público reabra o processo, Gonçalo Amaral, que integrou a equipa de investigadores da PJ que tentou apurar o que aconteceu à menina inglesa, realçou que "deviam ter sido feitas diligências que não foram feitas".

Também os pais da criança desaparecida na Praia da Luz, a 03 de Maio de 2007, expressaram o desejo de reabertura do processo, arquivado após despacho de 01 de julho de 2008 pelo procurador da República de Portimão, Magalhães Menezes, por falta de provas.

"Ficávamos muito satisfeitos se o caso fosse reaberto. O que é necessário é uma investigação verdadeira. Obviamente que queremos que as autoridades portuguesas e britânicas cooperem para rever o caso", disse Gerry, reiterando que "não há qualquer prova de que Madeleine esteja morta".

O pai da criança britânica desaparecida de um aldeamento turístico da Praia da Luz, onde se encontrava a passar férias com os pais e os irmãos, voltou a frisar que a filha se encontra viva, pelo que apelou "aos portugueses que tiverem informações" para que comuniquem.

No entender de Gerry, que não se mostrou contrariado com a ideia de uma participação do casal numa reconstituição, "o importante é que existe uma criança desaparecida", pelo que defendeu ser necessário "todos os esforços e todas as informações".

Em declarações aos jornalistas, Gerry McCann voltou a negar que o casal tenha estado em julgamento nas audiências na 7.ª Vara do Tribunal Cível de Lisboa, realizadas de 12 a 14 de janeiro e hoje.

"O caso não é sobre nós. É sobre Maddie. Ela tem de ser encontrada e nós estamos a fazer todos os possíveis para que isso seja uma realidade", disse.

Por seu lado, Kate McCann confessou que foi "muito difícil ouvir as alegações finais" do advogado de Gonçalo Amaral e dos representantes da editora Guerra & Paz, da TVI e da produtora Valentim de Carvalho, também visadas no processo da medida cautelar.

No entanto, a mãe da menina inglesa afirmou que "é reconfortante que não há qualquer prova de dano que tenha sido feito a Madeleine".

As alegações finais preencheram grande parte do julgamento da proibição de comercialiação do livro e de vídeo lançado no mercado após a exibição de documentário na TVI.

Neste processo, o casal inglês alega que o livro e o vídeo difundem a tese de Gonçalo Amaral de envolvimento de Kate e Gerry no desaparecimento da filha e que os pais da menina simularam o rapto e ocultaram o cadáver.

A juíza do processo, Gabriela Rodrigues, marcou para 18 de fevereiro a leitura dos quesitos e da sentença.

Lusa

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