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"Quando houver indicação de que há que mudar, estarei aberto à mudança imediata", disse Manuel Pinto de Abreu aos jornalistas, à margem da cerimónia de inauguração de uma fábrica de conservas, no porto de pesca de Olhão.

À entrada do porto, um pequeno grupo de pescadores aguardava a chegada do governante, empunhando faixas e cartazes a contestar aquela lei, numa das quais se podia ler "Caranguejo sim, Desemprego não".

Os pescadores, da organização Olhão Pesca, disseram à Lusa não perceber por que razão a medida se aplica apenas ao Algarve e queixaram-se de que o uso da sardinha ou cavala como isco os obriga a ir mais vezes ao mar, elevando os gastos com combustível.

De acordo com Manuel Pinto de Abreu, a portaria, aprovada em agosto, aplica-se só ao Algarve por ser a região onde se detetou uma sobreatividade na captura do polvo, que estava a conduzir à rutura de ‘stocks’ daquela espécie.

"Estamos numa situação que é boa para todos – para o pescador, porque tem maior quantidade e menores custos na captura do polvo, tem maiores receitas, e para o consumidor, porque o preço baixou", sublinhou.

Afirmando que a política vai continuar em vigor enquanto os resultados forem aqueles, Manuel Pinto de Abreu manifestou-se, contudo, disponível para alterar a medida, caso se justifique.

O governante disse ainda que a solução encontrada tem apenas alguns meses e está a dar bons resultados, pelo que "não é o momento de virar costas".

"Parece-me um contrassenso estar a ser acusado, como já fui, de que a minha medida permitiu que houvesse muito mais polvo e que as receitas fossem maiores", afirmou, sublinhando que a atividade é agora "mais lucrativa".

A utilização do caranguejo vivo permite que as armadilhas permaneçam no mar vários dias com o isco bom, enquanto o recurso à cavala e à sardinha tem uma duração limitada porque se deterioram mais rápido.

Os pescadores algarvios dividem-se relativamente à aplicação da medida, já que alguns, como é o caso dos que integram a Associação dos Amadores de Pesca de Tavira, aplaudem a proibição.

Manuel Pinto de Abreu anunciou ainda que no primeiro semestre deste ano vai ser feito um investimento de 250 mil euros no porto de pesca de Olhão para melhorar o pavimento e a portaria da estrutura.

A unidade que foi ontem inaugurada resulta da desativação de uma fábrica que existia há mais de 100 anos na cidade e que vai agora ser transferida para as novas instalações, iniciando a laboração na segunda-feira.

A antiga J.A Pacheco – agora Farias Mar – emprega atualmente cerca de 90 pessoas, prevendo-se que venha ainda a criar 30 novos postos de trabalho, disse aos jornalistas o dirigente da unidade, José Farias.

A fábrica aposta na produção de conservas de alta gama e tem uma capacidade de produção de cerca de 4.000 toneladas por ano, que são na sua maioria para exportação, sobretudo para Itália.

Lusa

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