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A ligação da rede em baixa dos núcleos da Culatra e Farol aos sistemas multimunicipais de abastecimento de água e saneamento do Algarve vai servir cerca de 1000 pessoas e 400 casas e custou oito milhões de euros, valor que, segundo Macário Correia, é "dos maiores investimentos per capita realizados para levar água a uma população".

A obra foi realizada pela empresa Águas do Algarve e permite que a população da ilha do concelho de Faro abandone os poços, reservatórios e tanques, que utilizava para dispor de água nas habitações, e as fossas que serviam para acumulação de resíduos.

Foi concluída a primeira fase do investimento, que inclui o abastecimento a associações e instituições públicas e a estabelecimentos comerciais, e agora vai iniciar-se a segunda, que levará as ligações às casas particulares.

"A água já está ligada aos estabelecimentos comerciais e às instituições públicas e nos próximos dias as ligações vão continuar, os contadores vão sendo postos, os contratos celebrados e as ligações feitas todos os dias úteis até a questão ser resolvida", explicou presidente da câmara de Faro.

Cerca de 12 anos depois de a luz eléctrica ter chegado à ilha, a Culatra passa agora a dispor de água da rede.

Macário Correia sublinhou que "mais vale tarde que nunca". "O que é facto é que o Natal de 2009 na Culatra já tem mais um contributo, mais um melhoramento. Outros terão que se seguir, esta gente merece, vive em dificuldades, isolada e de resto é a ilha de Portugal com mais habitantes, tirando as regiões autónomas da Madeira e dos Açores", sublinhou o autarca, acrescentando que "a população da Culatra é mais numerosa do que a da ilha do Corvo, nos Açores".

Para Sílvia Padinha, presidente da Associação de Moradores da Culatra, a chegada da água e do saneamento à ilha "é uma vitória para a população, depois de muitos e muitos anos de luta".

"Hoje é um grande dia, é uma vitória de todos os culatrenses que lutaram por uma necessidade básica. Parece impossível que em pleno século XXI e num país que se diz desenvolvido ainda seja necessário esperar 12 anos para conseguir trazer uma necessidade que é básica", afirmou a dirigente associativa.

Padinha disse que ao longo de todo o processo, que passou por quatro presidentes de câmara (Luís Coelho, José Vitorino, José Apolinário e Macário Correia), chegou a "desesperar" e a "duvidar" de que a obra se concretizasse, sobretudo depois de problemas técnicos que "obrigaram a que fosse encontrada uma solução alternativa e provisória".

"Esta primeira fase começou na semana passada e foi concluída rapidamente. Na próxima semana vamos pedir que se inicie já a segunda fase, com a ligação a todas as casas, independentemente do projecto de requalificação para a ilha da Culatra", garantiu Padinha.

A dirigente associativa considerou que "não faz sentido gastar oito milhões de euros para trazer água para a Culatra e não a ligar a todas as casas", apesar de algumas poderem vir a ser demolidas em função da requalificação da ilha, no âmbito dos planos de ordenamento do território.

"Independentemente do que vier a acontecer, e essa vai ser outra luta, temos água na Culatra e queremos que seja ligada a todas as casas", sublinhou Padinha.

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