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Embora já estivesse desativada desde 1984, foi no ano de 1998 que a antiga lixeira de Loulé foi encerrada e a ALGAR procedeu à sua selagem, no âmbito de um programa que decorreu em todo o Algarve. No espaço contíguo à antiga lixeira de Loulé situavam-se também as fossas séticas de Loulé, uma infraestrutura que não teve qualquer utilidade desde então.

Este terreno municipal, com uma área total de 3.120 m2, esteve, portanto, abandonado durante quase três décadas, apesar de se encontrar muito próximo da malha urbana, junto ao Caminho do Cemitério, a sul do Quartel da GNR de Loulé.

Durante algum tempo a Câmara Municipal de Loulé ponderou sobre a melhor forma de criar as Hortas Sociais de Loulé, um equipamento que desse às famílias mais carenciadas a possibilidade de cultivarem um pouco de terra e assim obterem produtos agrícolas frescos que contribuíssem para melhorar a sua situação económica.

A escolha da Autarquia para localizar as Hortas Sociais de Loulé recaíu sobre os terrenos da antiga lixeira de Loulé, face à sua proximidade ao centro da cidade, pelo facto de estarem desocupados e ainda pela possibilidade de se utilizar a água das Bicas Velhas, que sempre correram no ribeiro existente ao lado deste terreno. Um dos primeiros trabalhos que se realizou foi encaminhar a água das Bicas Velhas para as antigas fossas, tanques com 500 metros cúbicos de capacidade, que rapidamente se encheram.

Com este objectivo concretizado, ultrapassou-se a primeira preocupação ambiental: utilizar a água das Bicas Velhas para regar as Hortas Sociais. Mas já em 2011 essa água foi utilizada para regar árvores existentes ao longo da cidade, a qual foi transportada com um trator equipado com depósito.

Por outro lado, considerando-se que a criação de hortas em contexto urbano não deve ser apenas um meio de subsistência alimentar e complementar, mas também um instrumento sociocultural que contribua para o equilíbrio entre o homem e a comunidade e que dinamize o relacionamento entre as várias gerações, as Hortas Sociais de Loulé dispõem de um amplo espaço de lazer, que se espera contribua para o convívio entre os utilizadores.

Para tal foi necessário recuperar as antigas infraestruturas, que estavam muito degradadas, praticamente em ruínas, e criar todas as condições para que as hortas possam agora funcionar, com dignidade e funcionalidade.

A utilização das Hortas Sociais de Loulé será totalmente gratuita mas requer o cumprimento das regras estabelecidas no Regulamento, o uso correto dos recursos disponibilizados e uma convivência sã entre os utilizadores, bem como o cumprimento das técnicas de uma agricultura sustentável e saudável, de acordo com as regras da agricultura biológica.

A criação das Hortas Sociais de Loulé contempla ainda uma forte componente educativa, apresentando em espaço próprio ações de formação sobre técnicas de agricultura biológica, manutenção de espaço público, trabalho comunitário, compostagem e promoção ambiental.
Nesta primeira fase as Hortas Sociais de Loulé – Bicas Velhas são compostas por 20 talhões, com cerca de 30 metros quadrados cada um, todos equipados com torneiras para rega. Os utilizadores terão ao seu dispor casas de banho, uma casa para guardar as ferramentas, uma zona para convívio e uma área específica para compostagem.

Os interessados em dispor de um talhão nas Hortas Sociais de Loulé devem apresentar à Câmara Municipal uma ficha de candidatura, que se encontra disponível no website do Município (www.cm-looule.pt), tendo prioridade as famílias com rendimento per capita inferior à retribuição mínima mensal garantida.

O Regulamento entra em vigor dentro de dias, mas os interessados já podem apresentar uma pré-candidatura, pois a atribuição dos talhões será realizada logo que as questões burocráticas estejam ultrapassadas.

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