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O presidente do Conselho de Administração, Pedro Nunes, afirmou à Lusa que “o Hospital de Faro não tem carência de nenhum medicamento nem está nada pendente à espera de autorização”, refutando as queixas de uma doente, transmitidas pela TSF, segundo a quais aguarda para fazer quimioterapia oral para tratar um cancro na medula óssea.

Em causa está, segundo disse a doente à Lusa, um medicamento caro “menos agressivo” que os utilizados na quimioterapia tradicional, prescrito depois de nas últimas análises terem sido detetadas células cancerígenas ativas.

“Terminei um ciclo de quimioterapia em junho, tive um período de recuperação e, depois de fazer as últimas análises, o médico entendeu que deveria voltar a fazer quimioterapia, mas desta vez oral, por ser menos agressiva. Disse-me que tinha pedido o medicamento e estava à espera, mas até agora nada”, lamentou à Lusa Maria de Lurdes.

A doente frisou que, “no hospital, dizem que o medicamento não é de extrema urgência” e, enquanto espera pela chegada do novo tratamento, a sua situação vai-se deteriorando.

“Para mim, que estou nesta condição, tudo é urgente”, afirmou, adiantando que falta também um reagente para fazer uma análises pedidas para avançar com o tratamento, falta essa que Pedro Nunes atribuiu “a uma falha de funcionários na encomenda atempada dos produtos” e que já foi corrigida.

O presidente do Conselho de Administração do Hospital de Faro, frisando desconhecer o caso em particular, considerou ser “lamentável que estas coisas estejam sistematicamente a aparecer na comunicação social” e que, de “qualquer pequena falha que aconteça num hospital se crie um clima de insegurança por parte das pessoas”.

“Penso que a doente se queixou, provavelmente, porque sente este clima de insegurança que se passa em todo o lado”, afirmou Pedro Nunes, assegurando que, “se o medicamento for urgente, é imediatamente pedido, nem que seja a outro hospital”, e, “provavelmente, o médico entendeu que não era imperativo dar-lhe já a medicação, o que acontece em casos de doentes de cancro”.

Pedro Nunes frisou que, como o hospital pagou tudo atempadamente em 2012, “tem credibilidade suficiente até para pedir, se for preciso, à indústria, mas normalmente não é preciso, porque pede a outro hospital e depois devolve oito a 15 dias depois”.

O administrador do hospital de referência do sotavento algarvio precisou que, “entre aparecer a necessidade de um determinado produto e obter esse produto há um processo burocrático”, no qual “se faz a cabimentação, depois gera-se a nota de compromisso e depois as finanças dizem que existe o dinheiro no hospital para isso”, o que “demora sempre oito a 15 dias”.

“Se é urgente passa-se ao lado disso, pede-se o medicamento primeiro, depois tratar-se da burocracia, compra-se e devolve-se o medicamento a quem foi pedido emprestado”, assegurou Pedro Nunes.
Lusa

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