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“Perante o que passou na Páscoa, que veio acabar com todas as dúvidas, a solução encontrada pela EP não é resolver mas agudizar o problema, porque vai dar ainda mais visibilidade a uma medida que é injusta”, disse Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

Em tom irónico, o responsável hoteleiro sugeriu que o dinheiro que a empresa se prepara para investir nas ações de informação sobre pagamentos “seja investido numa campanha a dizer que afinal já não há portagens”.

O representante sublinhou que a queda na procura de alojamento por parte de espanhóis superou os 30%, mas mostrou-se “muito preocupado” com os efeitos da medida durante o próximo verão. Comentando a prevista instalação de mais um terminal de pagamento na fronteira de Vila Real de Santo António, Elidérico Viegas afirmou que essa máquina “não será necessária, porque as pessoas virão cada vez menos”.

Segundo o responsável, a introdução de portagens “deixa toda a gente a protestar e zangada” com o país, pois “os que vêm e pagam ficam chateados, não vêm mais e ainda regressam a fazer má propaganda de Portugal e os que não vêm e não pagam também ficam chateados, porque queriam vir”.

Elidérico Viegas aconselha a Estradas de Portugal e o Governo a recuar e “fazer mea culpa”, justificando que “as organizações e os poderes só são grandes quando reconhecem que erram e esse reconhecimento é uma prova de grandeza e sabedoria”.

Já o presidente do Turismo do Algarve, António Pina, disse compreender o “problema técnico” que a empresa pública tem para resolver, mas frisou que colocar mais máquinas e informar os estrangeiros de que podem pagar as portagens das antigas SCUT pela internet “não resolve o problema de fundo”, que passa por terminar com o pagamento.

"Mais uma máquina é como uma aspirina para um doente de cancro. A solução para o Turismo passa por não se pagar portagens", defendeu António Pina, que na passada segunda-feira já se tinha insurgido contra as longas filas de estrangeiros verificadas junto à máquina instalada na fronteira da Ponte Internacional do Guadiana, entre Castro Marim e Ayamonte, por ocasião das férias da Páscoa.

O presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA) disse ainda que "o Governo devia ter a força e a coragem" de encomendar um estudo económico a um entidade independente para saber o resultado que as portagens têm tido na economia regional.

"Está a entrar mais dinheiro ou está a perder dinheiro? Se (o Governo) acha que a medida de introduzir portagens é boa, tenha a coragem para analisar esta questão, porque estamos a tratar de um assunto demasiado importante", afirmou.

Estas reações surgem depois de a EP ter anunciado a intenção de informar os estrangeiros que queiram vir a Portugal de que podem pagar na Internet as portagens das ex-SCUT e de que também vai colocar mais máquinas de pagamento nas fronteiras.

Liliana Lourencinho com Lusa
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