Pub

O presidente da maior associação hoteleira do Algarve considera que os períodos de desemprego sazonal na região, tradicionalmente registados no inverno, estão a ficar mais alargados devido à crise. Por isso, sublinhou o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, o recorde de 20% do primeiro trimestre “era previsível”.

“Estes números refletem a situação que o Turismo atravessa, o que faz com que aquele desemprego sazonal que se verificava na estação baixa [fora do verão] se mantenha por períodos mais alargados”, considerou.

O dirigente associativo hoteleiro lembrou que os valores divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) “são oficiais” e afirmou que “o desemprego real é mais alto” do que os 20 por cento indicados para o Algarve.

O responsável sustentou que “já de há um tempo a esta parte que a região regista a maior taxa de desemprego do país” e que “era previsível que neste primeiro trimestre de 2012 aumentasse” devido à situação difícil que o Turismo está a passar devido à crise.

Por seu turno, o presidente da Associação da Indústria Hoteleira e Similares do Algarve (AHISA), Daniel do Adro, observou que os próximos dados, a divulgar em agosto, já deverão refletir a maior taxa de emprego sazonal que habitualmente se verifica no verão.

“Os dados referentes a março, agora publicados, já não estão corretos”, reforçou, sublinhando que em outubro as taxas de desemprego deverão disparar de novo, devido à diminuição da procura no setor turística e ao definhamento da atividade no setor da construção civil.

Já o delegado da Associação de Empresários da Construção Civil no Algarve afirmou que mais 4.000 algarvios deverão engrossar as estatísticas do desemprego até final de junho, caso as autarquias não paguem o que devem às empresas.

Manuel Gonçalves, delegado regional do Algarve da Associação de Empresas de Construção Civil e Obras Públicas (AECOPS), disse que os números hoje divulgados pelo INE não o espantam e que enquanto as autarquias não pagarem as dívidas aos construtores a situação não se vai inverter.

Segundo os cálculos da AECOPS, pelo menos mais 4.000 pessoas ligadas direta ou indiretamente ao setor da construção vão ficar desempregados até ao final de junho devido à crise no setor e às muitas obras públicas que se encontram paradas.

"Reunimos com o ministro da Economia e com o secretário de Estado das Obras Públicas para pedir que sejam tomadas medidas concretas para que as empresas recebam o dinheiro que têm em atraso por parte das autarquias, porque depois temos a banca em cima das empresas, para liquidarem contas caucionadas e tudo isto se torna insustentável", advertiu.

Recorde-se que já em março, em declarações ao FOLHA DO DOMINGO, Manuel Gonçalves tinha alertado para despedimentos em massa devido à crise do sector.

Liliana Lourencinho com Lusa
Pub