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"Só espero que o segundo inquérito, à forma como se deu atenção às pessoas, não sirva para desculpar o facto de ter caído uma coisa que não devia ter caído", disse à Lusa o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas.

O Ministério da Economia e do Emprego anunciou a abertura de dois inquéritos ao incidente da madrugada de segunda-feira no aeroporto de Faro, um dos quais à forma como os passageiros foram tratados na aerogare e o outro às razões da queda da estrutura na sequência do forte temporal que se abateu sobre a região.

"Aquilo não devia ter caído, essa é que é a questão principal", disse Elidérico Viegas, minimizando os reflexos sobre o turismo das situações de desconforto causadas nos últimos dias no aeroporto de Faro.

O dirigente hoteleiro reconheceu que a situação causada pelo desabamento "causou desconforto nos passageiros", com "pessoas ao vento e à chuva", admitindo que "porventura a crise poderia ter sido gerida com uma melhor coordenação entre todos os organismos" ligados às viagens e à aviação.

"O problema é que é contraproducente chamarmos nós a atenção para esses factos", disse, sublinhando que "fora de Portugal não se tem falado disso".

Sobre o descontentamento de alguns agentes políticos pelo facto de o aeroporto de Beja não ter sido utilizado como estrutura de apoio durante a crise em Faro, o dirigente hoteleiro recordou que o terminal do Baixo Alentejo "tem capacidade para receber mais passageiros do que tem recebido mas não está preparado para isso".

"Fala-se disso como se pudéssemos decidir para onde se derivam os aviões, mas não podemos. Não cabe à ANA [Aeroportos de Portugal] nem a mim decidir, cabe às companhias e elas é que decidem em função das condições que têm em cada aeroporto", disse.

Segundo o responsável, "obviamente em Sevilha as companhias têm estruturas de acolhimento e apoio que não têm em Beja".

Lusa
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