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A ideia foi deixada pelo bispo do Algarve – também ele membro de uma congregação religiosa, a dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehoninanos) – na eucaristia a que presidiu, de manhã, na igreja de Bensafrim, local onde este ano teve lugar a celebração, que se inseriu, uma vez mais, na Semana do Consagrado. A Semana do Consagrado, que ontem se encerrou, teve início no passado dia 29 de janeiro.

D. Manuel Quintas, lembrando que os consagrados devem ser então “exemplo e estímulo” para os restantes cristãos, disse ser do “conjunto harmonioso e complementar” dos institutos religiosos que brota a “riqueza da Igreja” no seu conjunto.

Lembrando que “a disponibilidade e a disposição de anunciar o Evangelho enraízam-se na vocação batismal”, o prelado explicou então a diferença entre a consagração da vida de qualquer batizado relativamente à de um membro de uma congregação religiosa. “Todos já fomos consagrados a Deus pelo batismo, porém, os consagrados recebem de Deus o dom de uma especial consagração para além da consagração batismal: fazer da sua vida uma vida totalmente configurada com Cristo e identificada com Ele também no serviço, dedicado e generoso, aos outros”, elucidou.

O bispo do Algarve salientou então que os “consagrados são aqueles que, «enraizados» em Cristo, não estão «amarrados» a nada que os impeça de serem enviados para onde for preciso”. “Esta dimensão do serviço tem a dimensão do mundo”, complementou, lembrando que, na Igreja, “há alguns que são chamados por Deus e aceitam seguir Jesus mais de perto, não apenas a partir do batismo, mas também tendo presente uma vocação de especial consagração”. “Pertencem a institutos diferentes, com características próprias, cada um acentuando um aspeto particular do seguimento de Jesus, cada um acentuando um aspeto do evangelho, da mensagem de Cristo e da espiritualidade cristã”, frisou.

D. Manuel Quintas considerou ainda “muito importante” a possibilidade de os consagrados algarvios saírem da sua paróquia para conhecerem outra realidade, assim como a de os restantes cristãos contactarem com esta diversidade vocacional. “É uma forma visual de podermos interiorizar o que significa esta vocação e esta maneira de viver o batismo, de identificação plena com Cristo”, sublinhou.

A terminar, o bispo do Algarve lembrou que “a vida consagrada está no coração do anúncio do evangelho desde os primeiros tempos”. “Todos sabemos como foi decisivo e importante o trabalho dos missionários no anúncio do evangelho e na realização da missão da Igreja em todos os tempos e hoje também”, disse, sublinhando que a vida consagrada une a ação “generosa, arrojada, destemida e cheia de audácia, que caracteriza os grandes evangelizadores” à contemplação. “O testemunho que nos dão desta identificação com Cristo deita também raízes nesta harmonia entre a contemplação e a ação”, afirmou, manifestando o seu reconhecimento pelo “dom” do serviço ao Algarve.

A iniciativa, promovida pelo Secretariado Regional da CIRP – Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, teve continuidade, após o almoço oferecido pela paróquia local, com uma reflexão orientada pelo frei José Quintã, franciscano, sobre o tema “A Vida Consagrada no coração da Evangelização, 50 anos depois do começo do Vaticano II” e terminou com a oração de vésperas.

Inserida na visita pastoral que D. Manuel Quintas está a realizar a algumas paróquias do concelho de Lagos, a celebração do Dia do Consagrado contou com a presença, para além do bispo diocesano, de mais 32 consagrados, incluindo 28 religiosas de 12 dos 14 institutos no Algarve e quatro padres (três redentoristas e um franciscano) de dois dos seis institutos na diocese algarvia.

O Algarve conta a este ano com a colaboração de 94 membros de institutos ou congregações religiosas (18 sacerdotes e 76 religiosas), para além do bispo do Algarve.

Samuel Mendonça
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