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A solenidade de São Vicente, que é também padroeiro do Patriarcado de Lisboa, foi celebrada de maneira particular em Vila do Bispo, por ser o dia daquele município do extremo barlavento algarvio, embora as atividades comemorativas, tenham sido iniciadas a 14 deste mês e se estendam até ao próximo domingo (29 de janeiro). Destaque para a procissão em honra de São Vicente que decorreu no último domingo à tarde, seguida de celebração eucarística na igreja matriz de Vila do Bispo.

Em Faro, a festividade foi assinalada na eucaristia presidida pelo bispo do Algarve na sé de Faro, no decurso da qual foram ordenados três novos diáconos. Na sua homilia, D. Manuel Quintas exortou os fiéis algarvios à “coragem” e “alento”, inspirados pelo mártir padroeiro, para “anunciar e testemunhar o evangelho de Cristo no mundo”.

Lembrando que o diácono da Igreja de Saragoça “padeceu o martírio no ano 304 ao serviço do seu bispo Valério”, o prelado considerou que “quis a providência de Deus que os seus restos mortais fossem conduzidos, durante a progressiva ocupação muçulmana do sul peninsular, até ao cabo que viria a assumir o seu nome e a transformar-se, durante vários séculos, em lugar de peregrinação”. “As comunidades moçárabes aqui existentes, constituídas por cristãos que conseguiram organizar-se sob o domínio muçulmano, encontraram, no testemunho de São Vicente, coragem perante as adversidades e alento na exigência da fidelidade cristã”, relatou, exortando os crentes algarvios à mesma atitude.

D. Manuel Quintas lembrou ainda dever-se a D. Francisco Gomes d’Avelar a proclamação, em 1794, de São Vicente como padroeiro principal da Diocese do Algarve, “certamente a partir da sua veneração popular em terra algarvia”.

A propósito do testemunho do padroeiro, o bispo do Algarve deixou claro que “os sofrimentos não são um fim em si mesmo, mas caminho que conduz à plenitude da vida que nos é dada por Jesus Cristo”. “Por isso, o testemunho dos mártires nunca envelhece. A fidelidade a Cristo, da qual o martírio é a sua expressão mais eloquente transforma-se em fonte inesgotável de vitalidade e de rejuvenescimento eclesial”, afirmou, explicando o sentido da celebração.

Recordamos que São Vicente, também conhecido por São Vicente de Saragoça ou São Vicente de Fora (Lisboa), foi martirizado em Valência durante as perseguições do Imperador romano Diocleciano contra os cristãos da Península Ibérica. O seu cruel martírio até à morte foi devido, segundo a tradição, à sua recusa em oferecer sacrifícios aos deuses do panteão romano.

Por ser orago da Diocese do Algarve e do Patriarcado de Lisboa guardam-se nas duas dioceses algumas das suas relíquias. Simbolicamente é representado por uma barca e um corvo, representação essa baseada na tradição de que em 1173 as suas relíquias foram conduzidas numa barca desde o Cabo de São Vicente, no Algarve, para Lisboa, a mando de D. Afonso Henriques e veladas durante todo o trajeto por dois corvos. Também aparece representado com palma (que simboliza o martírio) e evangeliário. Para além de ser comemorado a 22 de janeiro pela Igreja Católica, é celebrado a 11 de novembro pela Igreja Ortodoxa e, em Portugal, é ainda o santo protetor e advogado das crianças.

Samuel Mendonça

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