Pub

A Igreja do Algarve despediu-se esta manhã, em Vila Real de Santo António, do diácono Francisco Moreno Alves, de 77 anos, falecido no último domingo, 12 de julho, à noite, vítima de doença neurodegenerativa prolongada.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na celebração das exéquias que decorreu na igreja matriz, o vigário geral da diocese algarvia, que presidiu à mesma em representação do bispo do Algarve que não pôde estar presente “por motivos de saúde”, lembrou que “ninguém nasce para morrer”. “A morte é um acidente biológico porque a vida mantém-se”, ressalvou o cónego César Chantre, considerando tratar-se de um momento da eternidade. “A eternidade começa no momento em que somos concebidos e desenvolve-se no momento em que nascemos. A eternidade continua agora num outro estadium de desenvolvimento, numa outra fase já, plenamente, na luz de Deus”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“O nosso querido diácono Francisco conheceu o caminho e, segundo sei, nos últimos tempos sofreu no percurso deste caminho. Pois que esse sofrimento seja para a sua libertação e paz”, afirmou o vigário geral, lembrando que o diácono falecido “serviu muito a sua Igreja”. “Não só pedimos a paz para este irmão que partiu do nosso convívio físico (não do nosso convívio espiritual), [mas vamos] pedir a ele que interceda por nós junto de Deus. Que o nosso querido diácono Francisco, mais conhecido como diácono Paquito, esteja em paz”, concluiu.

No final da celebração, concelebrada por vários padres da diocese algarvia e participada por alguns dos seus nove diáconos, também o padre Mário de Sousa, diretor do Secretariado para o Diaconado Permanente da Diocese do Algarve, quis, “juntamente com todos”, “dar graças ao Senhor por aquilo que foi a vida e o ministério do Paquito”. “Acompanhamos o Francisco como ele sempre nos acompanhou em tantas circunstâncias da nossa vida comunitária, celebrando connosco eucaristia e fazendo-o hoje já presença de Deus”, afirmou o sacerdote natural de Vila Real de Santo António a quem o cónego César Chantre pediu que dirigisse algumas palavras.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Mário de Sousa aproveitou para sublinhar algo que sempre o “impressionou na maneira de ser e de servir” do diácono falecido: “a sua humildade e simplicidade”. O sacerdote afirmou que o defunto “sempre soube servir como diácono a Igreja do Senhor, com humildade e simplicidade”, e “sempre disponível para aquilo que fizesse falta”. “Penso que é um grande testemunho de Evangelho encarnado este que ele nos deixa, de servir o Senhor e a Igreja através da simplicidade e, ao mesmo tempo, dando aquilo que se tem”, completou.

“Reunimo-nos hoje aqui, não na tristeza apenas, mas sobretudo na esperança, porque sabemos que o Paquito, que tantas vezes serviu neste altar, hoje o Senhor o há-de receber para que possa servir no altar divino e possa passar desta mesa de peregrinos para a mesa do reino dos céus, onde o Senhor – como diz no Evangelho – se há-de cingir para o servir, para o acolher e para o fazer participar agora, liberto das contingências e do sofrimento que este corpo mortal nos traz, dessa paz, dessa felicidade e dessa luz que havemos – acreditamos pela fé – todos de ser mergulhados e viver quando pudermos contemplar a Deus face a face”, prosseguiu.

“Viemos aqui para rezar por ele, mas queremos pedir-lhe também que agora, já a caminho da presença de Deus – assim o acreditamos –, reze ele também por nós, para que com o seu exemplo, serviço, dedicação, de presença silenciosa tantas vezes, mas generosa, nos ajude também a nós a viver à imagem de Jesus, para que um dia com ele possamos contemplar para sempre o Senhor”, terminou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Por fim, o pároco de Vila Real de Santo António, paróquia onde o diácono Francisco Moreno Alves, exerceu o seu ministério diaconal, “agradeceu a presença de todos que vieram prestar homenagem”. O padre Agostinho Pinto quis manifestar publicamente o seu agradecimento póstumo ao falecido “por ter sido um dom de Deus” para aquela comunidade paroquial e para a diocese. “Um dom de Deus pelo seu humilde, simples e bondoso”, complementou, pedindo-lhe que “agora, mais na presença de Deus, peça por esta comunidade” e “para que tantos outros possam seguir-lhe o exemplo”.

O cortejo fúnebre, sob a presidência do pároco, seguiu para o cemitério de Vila Real de Santo António, onde o corpo ficou sepultado.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Francisco Moreno Alves, casado e pai de um filho e uma filha, foi ordenado diácono permanente pelo então bispo do Algarve, D. Manuel Madureira Dias, a 20 de fevereiro de 2000, juntamente com mais seis diáconos da diocese algarvia, grupo do qual também já faleceu em 2015 o diácono Joaquim Mendes Marques.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Para além da paróquia de Vila Real de Santo António, o diácono falecido colaborou também durante algum tempo nas paróquias do nordeste serrano algarvio. Foi ainda há 22 anos membro da direção e conselho fiscal da Cáritas Diocesana do Algarve. Por essa razão aquela instituição promoverá no próximo dia 21 deste mês, pelas 18h, na igreja matriz de São Pedro de Faro, uma eucaristia de ação de graças pelo seu antigo dirigente.

Pub