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“Mais do que a própria palavra dita, quantas vezes o testemunho é tão evidente e catalisador”, lembrou o cónego José Pedro Martins, reitor do Seminário de Faro, que presidiu à vigília de oração na igreja de Vila Real de Santo António, sustentando que “o testemunho de uma boa comunidade atrai vocações de toda a espécie e também vocações sacerdotais”.

Perante uma assembleia que, ao contrário do pretendido, não conseguiu ser representativa das paróquias do sotavento algarvio, o sacerdote destacou a importância de uma “comunidade sempre orante”. “Terminou o Lausperene, mas não terminou a oração”, advertiu, considerando que a cadeira ininterrupta de oração durante 15 dias, para que surjam vocações consagradas e particularmente vocações ao sacerdócio, decorreu como alerta de consciência. “É um avivar para tomarmos mais consciência e podermos continuar unidos na oração, interessados pela Igreja, pela construção do reino de Deus e em despertar vocações com o nosso exemplo e oração”, disse.

O cónego José Pedro Martins explicou até que o tipo de sacerdote pretendido é o “que se dá, à imagem do Bom Pastor, o sacerdote que procura estar presente junto do seu «rebanho»”. O reitor do Seminário do Algarve disse que o sacerdote necessário é o que recusa os “conceitos deste mundo”, da “fama”, dos “proveitos”, do “bom-nome”, do “poder” e de “dar nas vistas”. “Quem descobre a grandeza do dar, entende que passa por aqui vida porque o sacerdote não vive para si, mas para o outro e para a disponibilidade de realizar o plano de Deus”, disse, acrescentando que “os sacerdotes existem para serviço do reino de felicidade, paz, alegria e amor doado”.

Aos rapazes do grupo de 21 jovens presentes (9 dos quais do Pré-seminário), deixou um desafio. “Não tenhais medo, vale a pena”, afirmou, fazendo memória do apelo de João Paulo II.

O cónego José Pedro Martins aludiu também ao sentido do Lausperene. “O Senhor, um dia, pensando em nós – naqueles que estiveram antes e nos que hão de vir depois –, disse: «pedi ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe». A messe é o mundo, a vida de todos os dias e somos nós”, recordou, considerando que “é preciso rezar para que o Senhor encontre a resposta da vocação a uma vida de total consagração ao serviço do reino de Deus”.

O reitor do Seminário do Algarve garantiu ainda o resultado da iniciativa. “Com certeza que não fica em vão esta oração porque o Senhor lê os corações, sabe bem a sinceridade da nossa prece e conhece-nos bem por dentro”, disse aos presentes, lembrando que a oração “tem de ser sempre muito sincera, humilde e verdadeira”.

Na vigília, que prosseguiu com o testemunho do seminarista algarvio Paulo Figueiredo, pediu-se ainda que cada cristão que se comprometa com Deus e com o mundo “sedento de formas de vida radicais”, de “homens totalmente entregues às causas de Deus”.

Recorde-se que o Lausperene Diocesano foi promovido pela equipa formadora do Seminário de Faro, teve início no passado dia 29 de outubro, em Loulé, e prolongou-se, ao longo de 15 dias, por 71 das 80 comunidades paroquiais do Algarve.

Samuel Mendonça
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