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Sendo encarada como uma das iniciativas mais significativas que a Igreja algarvia realizada no decurso de cada ano pastoral, o Lausperene (oração permanente ao Santíssimo Sacramento) voltou a realizar-se desde o passado dia 3 deste mês, decorrendo no âmbito da Semana Nacional dos Seminários que teve início no dia 11 de novembro e que este domingo se conclui.

Na vigília de encerramento, o cónego José Pedro Martins, reitor do Seminário de Faro, instituição que promoveu a iniciativa, explicou o sentido desta. “É um tempo de oração necessário para criarmos consciência de que temos necessidade de sacerdotes. E o Senhor, que sabe disso, quer também ouvir o eco, nos nossos corações, se queremos ou não aqueles que Ele chama para continuar a missão de guiar as comunidades, para lançar as redes do reino”, sublinhou, exortando os católicos algarvios a continuarem a “rezar sempre, insistentemente”. “Agora, não devemos parar e ficar inertes”, advertiu.

Perante cerca de 80 pessoas presentes, o cónego José Pedro lembrou que “o sacerdote não é alguém que se envia a ele próprio, alguém que resolve seguir uma carreira eclesiástica”. “O sacerdote é alguém que vem da iniciativa de Deus, alguém que, tocado pelo Senhor, respondeu sim ao chamamento, percebeu a missão e entrega-se sem reservas”, sustentou.

Neste sentido, considerou serem necessários “sacerdotes que respondam às exigências do nosso tempo” porque “cada tempo tem as suas caraterísticas”. “Precisamos de sacerdotes que, percebendo essas caraterísticas, possam continuar a missão mais inseridos no tempo presente”, justificou.

Lembrando que “o padre nasce da comunidade e é para a comunidade que é consagrado”, desejou que “que o Senhor vá suscitando vocações dentro das próprias comunidades do Algarve” para “uma resposta mais inserida no meio em que nos encontramos”. Aludindo à importância de alguém, nas paróquias, interpelar os jovens à vocação sacerdotal, recordou que “o Seminário nasce das comunidades” e referiu-se às muitas maneiras de tornar o Seminário “presente no coração” das comunidades paroquiais algarvias.

Também o padre Pedro Manuel, prefeito do Seminário de Faro, lembrou ser no “contexto das comunidades paroquiais que surgem as vocações”. “Justamente nesse momento é necessário saber dar a resposta indicada porque aqueles que são chamados, muitas vezes, buscam caminhos e parecem não encontrar respostas”, alertou, apelando ao encaminhamento para o Pré-seminário.

Lembrando que o Seminário “vive exclusivamente de ofertas”, exortou à partilha com a instituição, considerando que “estar solidário com o Seminário é, antes de tudo e acima de tudo, reconhecer que Deus não abandona a sua Igreja”. “O Seminário é o «coração» da diocese que bombeia o «sangue» da fé por toda a Igreja algarvia”, metaforizou.

O padre Pedro Manuel, que lembrou que “ninguém opta pelo sacerdócio por livre espontânea vontade” porque “é na luta entre dois amores – o próprio e o de Deus – que surge a vocação”, também defendeu que “o Lausperene não pode terminar”. “Os frutos deste tempo hão-de continuar a ser alvo da nossa oração e a nossa oração há-de continuar a ser iluminada por esta força que nos vem da fé e por esta fé que se alimenta da eucaristia”, desejou.

Na vigília de oração, na qual participaram 15 dos seminaristas algarvios, rezou-se ainda pelas vítimas do tornado que naquele dia atingiu Lagoa e Silves.

Samuel Mendonça

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