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As obras de conservação e restauro da igreja matriz de Alcoutim foram inauguradas na passada sexta-feira, 11 de setembro, no Dia do Município.

Os trabalhos, iniciados em dezembro do ano passado e concluídos em junho passado, incidiram na cobertura, paredes, pilares e instalação elétrica e incluíram ainda a construção de uma rampa exterior para acesso de cidadãos com mobilidade reduzida. Em julho e agosto foram restaurados os altares e o púlpito que tinha sido repintado e agora viu redescoberta a sua coloração original.

As obras de recuperação daquela igreja do nordeste algarvio, no valor de quase 100 mil euros (acrescido de IVA) foram realizadas ao abrigo do contrato de financiamento estabelecido com o Estado, através da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), por via da candidatura submetida ao Programa de Recuperação de Equipamentos de Utilização Coletiva. O montante foi financiado pela DGAL e pela Câmara de Alcoutim, em 50% por cada uma destas entidades.

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Da esqª para a dirª: o arquiteto Victor de Brito, o diácono Albino Martins, o bispo do Algarve D. Manuel Quintas, o presidente da Câmara Osvaldo Gonçalves e o secretário de Estado Jorge Botelho • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na cerimónia de inauguração – que contou com a bênção das obras pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, e também com as presenças do secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, Jorge Botelho, e do presidente da Câmara Municipal, Osvaldo Gonçalves, – o diácono Albino Martins, representante da paróquia, destacou que a recuperação daquele “património” era “sonho antigo” de quantos nos últimos cinquenta anos antecederam a atual geração, mas que “só se tornou possível” agora graças aos apoio das duas entidades financiadoras. A autarquia, pagou ainda o projeto a cargo do arquiteto Victor de Brito, que confirmou que “a cobertura tinha problemas graves” e que a intervenção visou solucionar os “problemas de humidade”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“A recuperação da igreja do Divino Salvador de Alcoutim não é um sonho. É a partir de hoje, uma realidade. Temos de legar às gerações vindouras o que os nossos antepassados fizeram chegar até nós”, complementou, realçando o trabalho “que exigiu tanto esforço, tanto trabalho, mas, no fim, tanta felicidade pelo resultado final da intervenção realizada”.

“Esta obra é muito mais do que um edifício recuperado. É e será sempre um sinal da comunidade que se edifica permanentemente na fé, na esperança, no amor, na partilha fraterna e na missão de ser testemunha de Jesus Cristo. Este património único, retoma a sua condição de presença de Deus entre os homens. A partir de hoje retomará a sua condição de espaço onde habita Deus”, prosseguiu aquele responsável, acrescentando que aquela igreja “será sempre um sinal desta comunidade alcouteneja que se reúne para escutar a Palavra, para celebrar os mistérios da fé, para fortalecer os gestos da comunhão fraterna e para se fortalecer para a missão”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve regozijou-se com o restauro da igreja em resultado da “conjugação de muitos esforços”. “Gostaria de me congratular com este restauro por tudo aquilo que ele significa para este município. É muito bom termos uma igreja restaurada como esta, mas isso deve levar-nos a olhar para a Igreja que nós somos e, sobretudo, pelo fruto que podemos dar”, afirmou D. Manuel Quintas.

O presidente da Câmara de Alcoutim concordou ser a comunidade alcouteneja a beneficiária da obra. “Quem fica a ganhar com tudo isto é a comunidade e o património recuperado como está garante para as gerações vindouras aquilo que foi o legado que nos deixaram as nossas gerações anteriores”, frisou Osvaldo Gonçalves.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local considerou que a obra beneficiou da “conjugação de esforços do Município de Alcoutim, através do seu presidente”, e do seu antecessor, Carlos Miguel. “Quando se conjuga duas vontades boas, a obra nasce e as pessoas agradecem porque todos nós somos reconhecidos a que a conjugação de vontades possa acontecer em prol das populações”, afirmou Jorge Botelho, acrescentando que aquele trabalho foi “bom para o património, para o culto, para as pessoas, para a história e para as dinâmicas da terra”.

A igreja matriz de Alcoutim é uma igreja medieval, reconstruída no século XVI segundo o estilo renascentista. Contém três naves separadas por arcos assentes em colunas de capitéis coríntios e um portal de estilo clássico.

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Da esqª para a dirª: o presidente da União de Freguesias de Alcoutim e Pereiro João Carlos Simões, o diácono Albino Martins, o bispo do Algarve D. Manuel Quintas e o arquiteto Victor de Brito • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

No passado domingo, a comunidade paroquial regressou à igreja matriz, após se ter reunido na ermida de Nossa Senhora da Conceição durante o tempo das obras. O bispo do Algarve também voltou ali para presidir à eucaristia com administração do sacramento do Crisma a adultos.

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