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Igreja de Armação de Pêra reabriu após ter sido assaltada e incendiada

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© Samuel Mendonça

O bispo do Algarve presidiu no passado sábado à reabertura e à dedicação do novo altar da igreja de Armação de Pêra, após o incêndio que a destruiu na sequência de um assalto ocorrido em agosto do ano passado.

Após a saudação à comunidade, D. Manuel Quintas benzeu a água e, para além do povo, aspergiu as paredes e o altar da restaurada igreja. Benzeu também o ambão, após a receção do lecionário que para lá foi levado para a proclamação da primeira leitura.

Na homilia, o prelado lembrou o dia em que visitou aquela igreja após o crime de que foi alvo. “Não imaginava tanta devastação”, lembrou, referindo a “tristeza, quase desânimo”, sentida naquela altura, quando regressado ao Algarve se deparou com a ocorrência naquela paróquia.

D. Manuel Quintas lembrou todos quantos se envolveram e, “de maneira desprendida e anónima”, contribuíram “com a comunidade unida ao seu pároco”, “com criatividade, sem desfalecer e aos mais diversos níveis”, para a recuperação da igreja. “Os sentimentos de hoje são de alegria”, comparou, agradecendo em nome do prior pela “dedicação, generosidade, entusiasmo e apoio” que aquele encontrou em cada um.

O prelado destacou o significado da dedicação do altar. “O altar é o próprio Cristo, por isso é que tem uma dignidade tão sublime, mesmo do ponto de vista arquitetónico. Cristo está neste altar porque sobre ele se celebra, se renova a eucaristia, se renova esse milagre da presença perene de Jesus entre nós e no meio de nós”, explicou, lembrando que, “ligado ao altar está o sacrário”. “Também há uma bênção particular sobre o sacrário, lugar da reserva eucarística, pensando, sobretudo, nos nossos irmãos doentes que não podem dirigir-se à igreja”, acrescentou.

O bispo do Algarve salientou, no entanto, que a “verdadeira Igreja são os cristãos” que a constituem. “Também somos «altar» sempre que nos oferecemos com Cristo. É importante que, através da nossa vida, também outros possam encontrar-se com Cristo”, acrescentou, considerando que a igreja agora reaberta ficou “mais esplendorosa, acolhedora e iluminada”.

Depois da liturgia da palavra, seguiu-se a bênção do sacrário, a oração das ladainhas e a oração de dedicação do altar. Seguiram-se então gestos muito significativos como a unção do altar com o óleo do Crisma (por se tratar de um altar de pedra) para significar a presença de Cristo. Outro dos momentos simbólicos foi a incensação do altar em expressão da oração que se eleva a Deus em nome de toda a comunidade e o seu revestimento com acendimento das velas para lhe dar a dignidade própria como mesa para o sacrifício.

Em nome de todos, dois paroquianos agradeceram a Deus o “amparo e força” dados ao pároco na “difícil tarefa de manter reunido o seu rebanho e de reconstruir a igreja”. “Só a sua generosidade, a sua coragem, o seu empenho e perseverança nos permitiram estar aqui hoje, reunidos de novo na nossa casa. Embora a nossa barca não se tivesse afundado, tão bom era o seu mestre, nestes meses vivemos alguma tormenta interior. Faltava-nos o nosso porto seguro, a nossa igreja”, referiram.

O pároco, que disse sentir uma “alegria muito grande”, teve uma “palavra de agradecimento” ao bispo pelo “acolhimento e ajuda”, aos sacerdotes da diocese que se uniram à paróquia com as suas comunidades cristãs. “Vieram em nosso auxílio, contribuíram com a sua generosidade e ajudaram na restauração da nossa igreja”, afirmou o padre Joaquim Beato, que agradeceu também à comunidade paroquial, reconhecendo o crescimento de todos. “A Igreja continua, não foi incendiada. A Igreja vive no nosso coração em cada um de nós”, afirmou.

O prior agradeceu ainda às autoridades e às entidades que contribuíram para a recuperação da igreja na qual foi inaugurada uma nova pintura da padroeira Nossa Senhora dos Navegantes e uma lápide a testemunhar o ocorrido.

A obra, que incluiu a remodelação do presbitério, com a construção de um novo altar, sacrário, ambão e cadeira do presidente e a substituição da cobertura, foi realizada nos últimos quatro meses e custou cerca de 300 mil euros. Foi ainda feita a substituição do piso de madeira por granito, a instalação de equipamento de segurança contra incêndio e a aquisição de mobiliário para a sacristia. Os trabalhos, que ainda decorrem, deverão ficar concluídos até ao final deste mês.

O templo foi recuperado com a ajuda de duas empresas – o empreendimento turístico de cinco estrelas Vila Vita Parc, localizado entre aquela localidade e Porches, e a empresa Simão & Martins, de Lagoa, responsável pelos trabalhos de reparação – e de donativos de particulares.

A Câmara de Silves também atribuiu um subsídio de cerca de 30 mil euros.

Desde agosto, as eucaristias foram celebradas num salão atrás da igreja, onde existia um antigo supermercado, disponibilizado para o efeito pelos seus proprietários, e no salão do Clube de Futebol “Os Armacenences”, também por disponibilidade da sua direção, mas as celebrações voltaram ontem a realizar-se na igreja.

O crime foi investigado pela Polícia Judiciária, mas o prior disse ao Folha do Domingo não conhecer desenvolvimentos ao caso. “Até à data não houve informação nenhuma. Tenho pena que as autoridades policiais não tenham sido capazes de descobrir qualquer coisa”, lamenta.

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