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A exposição, intitulada “Encontro no Bem e na Beleza”, que já tinha estado patente na Assembleia Diocesana de início do ano pastoral da Igreja algarvia, ficará patente até ao final do mês junto ao balcão para visitas e ao auditório do Hospital de Faro.

Promovida pelo Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do Hospital de Faro, com o apoio da Comissão Nacional das Capelanias Hospitalares e do Grupo de Trabalho Religiões e Saúde, a mostra tem como temática principal as 14 obras da misericórdia de Deus, na perspectiva das várias religiões.

Na eucaristia, o padre Firmino Ferro, vigário geral da Diocese do Algarve, que representou o bispo do Algarve, exortou a uma “dimensão superior” do sofrimento. “Não somos masoquistas, não sofremos só por sofrer, mas podemos sofrer com uma dimensão superior. E essa dimensão superior, é a dimensão de aceitação do sofrimento, que nos leva a enfrentá-lo, assumi-lo e vivê-lo como acolhimento da vontade de Deus e como tempo de passagem, mais ou menos longo”, afirmou.

O sacerdote, que apelou à “oração pela oferta do sofrimento”, lembrou que este faz parte da vida. “Nós, seres humanos, temos muito medo do sofrimento, embora o sofrimento faça parte integrante da nossa vida. Todos aspiramos a uma vida feliz sem sofrimento, mas isso é impossível”, afirmou, lembrando que o sofrimento pode ter também origem “moral, espiritual ou económica”. “Não ficamos agarrados ao sofrimento pelo sofrimento, mas pedimos a Deus força, coragem e esperança, para sermos capazes de, enfrentando o sofrimento do dia-a-dia, procurar ultrapassá-lo e chegar à salvação”, complementou.

O vigário geral pediu ainda a todos os que estão na área da saúde uma “atenção particular para com os doentes”. “Todos os doentes e marginalizados, a nível de doença ou solidão, estão incluídos no nosso grupo. Por isso, temos de ser bons samaritanos e próximos de todos os que se encontram nessas situações concretas. Não podemos fechar os olhos e andar distraídos”, advertiu, exortando os presentes a que tenham “sensibilidade suficiente para acolher, tratar e cuidar”. “Sozinhos pouco podemos fazer, mas de mãos dadas podemos resolver muita coisa. Podemos responder melhor às situações concretas e cuidar melhor”, complementou.

Na eucaristia, foi ainda administrado o sacramento da unção a duas doentes, tendo o sacerdote lembrado que a unção dos doentes é mesmo para aqueles que estão nessa condição e não para pessoas que estão em fase terminal.

No final da celebração, a Capelania do Hospital disponibilizou-se para fornecer acompanhamento espiritual no momento da doença e da morte. “Entendemos que os vossos familiares partiram desta casa mas há uma responsabilidade do Hospital também para convosco para vos ajudar neste momento difícil”, afirmou o capelão.

Após a eucaristia, o padre Firmino Ferro, a acompanhado pelo capelão do Hospital de Faro, visitou ainda a nova Área de Decisão Clínica, inaugurada o mês passado para acabar com as macas nos corredores.

O novo espaço contíguo às Urgências do Hospital de Faro tem 560 metros quadrados e foi criado de raiz para acomodar os doentes que, depois da triagem e de serem observados, aguardam na urgência o resultado de exames, a observação de especialistas ou a transferência para um serviço de internamento.

O Dia Mundial do Doente, celebração instituída por João Paulo II em 1992, é assinalado anualmente pela Igreja Católica a 11 de fevereiro, na festa litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, data que marca as aparições a Bernardette Soubirous, em 1858.

Na sua mensagem para este ano, inspirada na parábola bíblica do Bom Samaritano onde se afirma "Vai e faz tu também o mesmo" (Lc.10, 30-37), o Papa Bento XVI convidou as pessoas a deixarem-se interrogar pela figura do Bom Samaritano, que desafia a uma atitude de “proximidade” e representa “o amor profundo de Deus por todo o ser humano”.

Samuel Mendonça

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