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Foto © Samuel Mendonça

A Diocese do Algarve viveu ontem mais um dia dos mais significativos pela ordenação de dois novos sacerdotes, os padres Fernando Rafael Rocha, de 37 anos, natural de Quarteira, e José Chula, de 26 anos, natural de Monchique.

No início da eucaristia a que presidiu na igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira, o bispo do Algarve começou por destacar isso mesmo. “Gratidão, alegria e esperança é aquilo que brota do meu coração e penso que também do de cada um de vós”, afirmou D. Manuel Quintas.

O prelado começou por lembrar que “o ministério ordenado não é um direito resultante do mérito ou de uma conquista”. D. Manuel Quintas frisou que o “dom” vem de Deus. “É Ele que chama, consagra e envia. É d’Ele a mensagem a transmitir. É Ele que se compromete na proteção daquele que chama e envia”, afirmou, acrescentando que “a atitude da criança que se deixa conduzir pela mão segura do pai ou da mãe deve ser a atitude permanente de todos os chamados, consagrados e enviados”.

Citando o papa Francisco, o bispo do Algarve afirmou que “sem a referência de Cristo na vida do presbítero, facilmente se perde a referência dos fiéis que lhe são confiados”.

D. Manuel Quintas deteve-se na “imagem do bom pastor que conhece e dá a vida pelas suas ovelhas de que Cristo se serviu para exprimir o amor de Deus ao seu povo”, por considerar que “traduz bem o sentido de entrega e doação presentes na vida do presbítero”. “A alegria do bom pastor brota da misericórdia e do amor que nutre por todo o rebanho e, particularmente, pela ovelha perdida e reencontrada. O bom pastor, tal como um pai ou uma mãe que vive totalmente para os filhos, não se desliga em dia de folga daqueles que lhes são confiados para não ser incomodado por eles. O amor é permanente, com descanso, certamente, mas ininterrupto, sem folgas”, afirmou, considerando que “a alegria do bom pastor deve ser também a alegria do sacerdote” que “é transformado pela misericórdia que distribui gratuitamente”.

Por outro lado, o bispo do Algarve destacou a importância da oração na vida do sacerdote, afirmando que, através daquela este “descobre a consolação de Deus e experimenta que nada é mais forte do que o seu amor, por isso permanece sereno interiormente, sentindo-se feliz por ser um canal de misericórdia, por aproximar o homem do coração de Deus”.

O bispo diocesano salientou ainda que “a caridade pastoral, enquanto participação da própria caridade pastoral de Cristo Jesus, é a virtude que anima toda a vida espiritual do presbítero”. “Esta caridade pastoral tem a sua fonte específica na eucaristia, centro e raiz de toda a vida do presbítero. A caridade pastoral constitui o princípio interior e dinâmico capaz de unificar as múltiplas atividades do sacerdote, unidade entre a vida interior e tantas atividades e responsabilidades do ministério ordenado”, complementou.

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Foto © Samuel Mendonça

D. Manuel Quintas aludiu ainda ao facto de os novos sacerdotes algarvios serem ordenados em Ano Santo da Misericórdia. “O facto de serdes ordenados em Ano Jubilar da Misericórdia constitui igualmente indicativo e apelo para fazerdes da celebração da misericórdia distintivo privilegiado do vosso ministério sacerdotal”, advertiu, considerando que “a misericórdia é a palavra que melhor define o amor de Deus para com o seu povo, tornado visível e palpável no rosto de Cristo e consequentemente no sacerdote que age em seu nome”.

Dirigindo-se aos muitos jovens presentes, o prelado repetiu “com renovado vigor o apelo de sempre”: “abri o vosso coração e a vossa vida a Cristo”. “Uma ordenação sacerdotal constitui sempre uma ocasião especial em que Deus fala ao vosso coração e vos dirige o convite a escutá-l’O com maior disponibilidade e a segui-l’O sem receios e sem reservas. Não tenhais medo das suas propostas, não vos fecheis aos desafios que Ele semeia no vosso coração, não vos considereis, à partida, excluídos deste dom. Ele não abandona os que chama. Cristo conta convosco. A nossa Igreja diocesana precisa de vós”, afirmou.

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Foto © Samuel Mendonça

À imensa assembleia presente, que nos momentos mais emotivos da celebração se manifestou com espontâneas ovações, pediu a “oração, amizade e apoio” e, “quando necessário”, a “correção fraterna” para os novos padres. “Não esmoreçamos na oração e compromisso pelas vocações. Gostaria que aumentasse ainda mais, em cada um de vós e das nossas paróquias, a oração, o interesse pelas vocações, o envolvimento de toda a diocese na pastoral vocacional. É Deus que chama mas serve-se de nós para manifestar o seu chamamento”, acrescentou também, pedindo “empenho renovado na pastoral vocacional”.

Após a homilia, a celebração prosseguiu com o rito da ordenação dos novos padres, constituído por alguns gestos significativos, mas que teve como momento mais importante o da ordenação propriamente dita com a imposição das mãos do bispo diocesano sobre os ordinandos e a oração consecratória.

Um dos gestos significativos de comunhão e de unidade foi a promessa de obediência e reverência ao bispo diocesano enquanto sucessor dos apóstolos, sinal e garante da unidade da Igreja e desta com a Igreja de Roma, assim como a colocação das mãos dos ordinandos nas mãos do prelado.

Os outros momentos expressivos aconteceram já depois das ordenações com os recém-ordenados a serem revestidos com as vestes sacerdotais – recordando que, antes de mais, se devem continuar a revestir de Cristo – e com a entrega da píxide e do cálice.

Igualmente de grande emoção foram os abraços aos restantes padres presentes e a concelebração eucarística já participada pelos novos presbíteros, a que se associaram os restantes (muitos vindos de fora da Diocese do Algarve).

O padre José Chula celebrará a sua missa nova no próximo domingo, dia 3 de julho, às 17h na igreja de Monchique, e o padre Rafael Rocha celebrará a sua missa nova no dia 10 de julho, às 10h, na igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira.

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