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O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Card. Walter Kasper, recordou que “todos os peritos documentam que a grande maioria de casos ocorrem nas famílias e não nos âmbitos eclesiásticos”, pelo que a atribuição das suas causas ao celibato “é um verdadeiro abuso dos abusos”.

Em declarações ao jornal italiano “La Stampa”, o prelado denunciou a “instrumentalização dos casos de pedofilia no clero” e acusou “alguns influentes meios de comunicação” de ultrapassarem “toda a lealdade e toda a verdade”.

Por seu lado, o Card. Carlo Maria Martini negou que alguma vez tivesse dito que a obrigação do celibato para os padres teria de ser repensada, conforme foi referido por alguns órgãos da imprensa austríaca e alemã.

O arcebispo emérito de Milão afirma em comunicado que é “uma comparação forçada conjugar a obrigação do celibato para os sacerdotes com os escândalos de violência e abusos sexuais”.

As medidas tomadas pelo Papa para responsabilizar os culpados pela pedofilia e evitar a reprodução desses casos foram realçadas pelo arcebispo de Westminster, D. Vincent Nichols, em artigo publicado na primeira página do jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”.

“Ninguém fez tanto como Bento XVI contra os abusos de menores”, salienta o prelado, que enuncia as “importantes alterações no Direito da Igreja” introduzidas pelo então responsável máximo da Congregação para a Doutrina da Fé, nomeadamente “a inclusão dos delitos contra as crianças cometidos através de internet” e “a elaboração de um sistema de rápida remoção do estado clerical dos acusados”.

No entender do arcebispo, “o Papa não é um observador ocioso” e “as suas acções falam tanto como as suas palavras”.

A resposta que a Igreja tem dado aos casos de pedofilia foi salientada pelo porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, que mencionou as directrizes para a gestão e prevenção dos abusos na Alemanha, Áustria, Austrália e Canadá, entre outros países.

O responsável pela Sala de Imprensa da Santa Sé admite que é preciso reconhecer e corrigir os casos recentemente divulgados, que “tiveram lugar geralmente há um certo tempo”, pagando o preço do “restabelecimento da justiça e da purificação da memória”.

Na missa de Domingo de Ramos, o Card. Walter Kasper reconheceu que “a Igreja necessita hoje de uma humilde limpeza interna”, para que possa sair da “crise actual” mais “esplêndida e bela”.

Ecclesia

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