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Igrejas cristãs algarvias voltaram a rezar juntas pela unidade

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Foto © Samuel Mendonça

As Igrejas cristãs do Algarve voltaram a reunir-se na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos para implorarem esse dom do mesmo Deus em que todas creem.

Católicos, greco-católicos, anglicanos, luteranos, ortodoxos romenos e evangélicos encontraram-se ontem à tarde, na igreja de São Francisco em Faro, para rezarem juntos pela unidade cristã durante a semana de oração por essa intenção que no hemisfério norte é celebrada anualmente entre 18 a 25 de janeiro.

Sob o tema “A tua mão, Senhor, é poderosa!” (EX 15,6), frase do livro do Êxodo, a oração deste ano foi preparada pelas Igrejas que vivem na zona da América Central e do mar das Caraíbas. “Foi a esta zona que, em 1492, chegaram os navios de Colombo, abrindo as portas ao Cristianismo e iniciando a exploração colonial europeia. A história do Cristianismo nesta região apresenta uma contradição, um paradoxo. Por um lado, os colonizadores usaram Bíblia para justificar a sujeição dos habitantes originais daquelas terras, juntamente com outros que foram transportados da África, Índia e China. Muitos foram exterminados, acorrentados, escravizados, e foram submetidos a condições injustas de trabalho. Por outro lado, a Bíblia foi uma fonte de consolação e libertação para muitos que sofreram nas mãos dos colonizadores”, contextualizou-se no início da celebração. A oração foi, por isso, marcada por dois símbolos: a Bíblia e as correntes.

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Foto © Samuel Mendonça

A celebração contou com a presença dos cónegos Carlos César Chantre (vigário geral da Diocese do Algarve em representação do bispo diocesano) e Joaquim Nunes (diretor do Secretariado para o Diálogo Ecuménico e Inter-religioso da Diocese do Algarve) e dos padres José Santos Ferreira, Paulo Ferreira e Vasco Figueirinha, em representação da Igreja Católica algarvia, do pastor Manfred Otterstätter em representação da Igreja Luterana alemã, dos pastores David Kirby e Rob Kean em representação da Igreja Anglicana, do padre Oleg Trushko em representação da Igreja Greco-Católica, do padre Ioan Rîşnoveanu em representação da Igreja Ortodoxa romena e do pastor Rodrigo Sequeira em representação da Igreja Evangélica.

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Foto © Samuel Mendonça

O cónego César Chantre, que agradeceu a Deus pelas Igrejas presentes, lamentou que os cristãos vivam muitas vezes “com as correntes da escravatura”. “A escravatura não é só a objetiva, que conhecemos da história, mas também a subjetiva, a intelectual, porque muitas vezes permitimos que a sociedade atual nos manipule”, explicou, exortando os cristãos fortalecerem-se na Bíblia. “Se nos agarrarmos a esta Sagrada Escritura, quem sabe os novos filhos do pós-verdade, do relativismo, os ateus, os agnósticos, os muçulmanos e todas as outras correntes religiosas, passam a olhar para Jesus Cristo de outra maneira”, afirmou.

O sacerdote desafiou ainda os presentes a contribuírem para a unidade dos cristãos. “Cada um à sua maneira pode fazer qualquer coisa para que ainda na nossa geração os cristãos levantem a bandeira da unidade. Porque não há razões hoje para estarmos divididos”, considerou, acrescentando: “que este momento não seja mais um cumprimento anual de uma semana, mas sim um compromisso de estarmos unidos. Eu pedi muito ao Espírito Santo que nos dê um novo discernimento para que este milénio seja o milénio da unidade já que o anterior foi o da separação”.

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Foto © Samuel Mendonça

Depois da homilia, a celebração, organizada pelo Secretariado para o Diálogo Ecuménico e Inter-religioso da Diocese do Algarve, prosseguiu com alguns momentos particularmente simbólicos com o do abraço da paz entre os representantes das Igrejas ou o da oração do Pai Nosso de mãos dadas.

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