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Igrejas cristãs algarvias voltaram a rezar pela unidade

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Da esqª para a dirª: O bispo da Igreja Católica do Algarve D. Manuel Quintas, o pastor da Igreja Luterana alemã Andreas Lemmel, o pastor da Igreja Anglicana Mark Wilson, o padre da Igreja Greco-Católica Oleg Trushko e o padre da Igreja Ortodoxa romena Ioan Rîşnoveanu • Foto © Samuel Mendonça

As Igrejas cristãs do Algarve voltaram a reunir-se na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos para implorarem esse dom do mesmo Deus em que todas creem.

Católicos, greco-católicos, anglicanos, luteranos e ortodoxos romenos encontraram-se, no passado dia 21 de janeiro à tarde, na igreja de S. Francisco em Faro, para rezarem juntos pela unidade cristã durante a semana de oração por essa intenção que se realizou de 18 a 25 deste mês.

Sob o tema ‘Reconciliação: é o amor de Cristo que nos impele’, inspirado numa passagem da segunda carta de São Paulo aos Coríntios, a oração, preparada este ano pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Santa Sé) e a Comissão Fé e Constituição (Conselho Mundial de Igrejas), assinalou de modo especial os 500 anos da Reforma Protestante (1517).

A celebração contou com a presença do bispo D. Manuel Quintas, do cónego Joaquim Nunes (diretor do Secretariado para o Diálogo Ecuménico e Inter-religioso da Diocese do Algarve), dos padres José do Casal Martins, José Santos Ferreira, Paulo Ferreira e António da Rocha, e do diácono Elvino Pereira, em representação da Igreja Católica algarvia, do pastor Andreas Lemmel em representação da Igreja Luterana alemã, do pastor Mark Wilson em representação da Igreja Anglicana, do padre Oleg Trushko em representação da Igreja Greco-Católica e do padre Ioan Rîşnoveanu em representação da Igreja Ortodoxa romena.

No início da celebração, o bispo do Algarve e os pastores das Igrejas Luterana e Anglicana lembraram os “movimentos de renovação na Igreja” que ao longo da história levaram a “indesejáveis divisões”. Rezando pelo “perdão e cura das feridas” que resultaram dessas divisões, aqueles responsáveis enumeraram os pecados cometidos que ajudaram a construir “muros” que dividem os cristãos. “Muros que prejudicam a comunidade e a unidade”, reconheceram.

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Foto © Samuel Mendonça

Neste sentido, procedeu-se à apresentação das pedras com os pecados que levaram construção do “muro”. “Agora trazemos diante de ti as pedras com que construímos os nossos muros e pedimos-te perdão e cura”, rezou D. Manuel Quintas.

Na celebração, organizada pelo Secretariado para o Diálogo Ecuménico e Inter-religioso da Diocese do Algarve em colaboração com o Movimento dos Focolares e animada pelos jovens católicos da comunidade do Imaculado Coração de Maria da paróquia da Sé de Faro, o bispo da Igreja Católica do Algarve começou por destacar a igreja de São Francisco como o “lugar natural” para a aquelas celebrações ecuménicas segundo o espírito de Assis. “De facto, por estarmos numa igreja franciscana sentimo-nos todos imbuídos do espírito de São Francisco e desse lugar de Assis (Itália) onde tantos encontros se têm realizado, não apenas de cariz ecuménico, mas também de cariz mais alargado interconfessional”, afirmou, lembrando as iniciativas dos últimos papas.

“Hoje sentimo-nos aqui irmanados, certos de que a força da oração constitui seguramente o caminho mais adequado para progredirmos na unidade que todos desejamos e que Jesus pediu insistentemente ao Pai pouco antes da sua paixão e morte na cruz”, prosseguiu.

O prelado evocou ainda os 500 anos da Reforma Protestante, referindo-se à iniciativa de Martinho Lutero, e aludiu ao muro construído no início daquela celebração. “Porque certamente nos vemos refletidos em tudo aquilo que constitui este muro, leva-nos a interiorizar e a dizer: quem de nós não tiver nenhuma destas pedras que atire a primeira”, afirmou.

“Estou certo de que esta oração e esta partilha nos ajudarão a crescer mais nesta dimensão da fraternidade. O amor de Cristo nos impele e faz de nós mensageiros da reconciliação, nos impele a sermos ministros da reconciliação, sermos servidores desta comunhão fraterna que é fundamental e essencial para podermos progredir no caminho da unidade”, concluiu D. Manuel Quintas, pedindo aos presentes que tenham sempre no seu coração “lugar para o outro, mesmo que seja diferente, mesmo que pertença a uma Igreja diferente”.

O pastor Andreas Lemmel destacou que a reconciliação entre cristãos, tal como a reconciliação com Deus, “não é possível sem o arrependimento”. O responsável da Igreja Luterana alemã disse estar “satisfeito com os muitos passos que foram dados para a reunificação, reconhecendo a reconciliação na diversidade”. “Estamos diante da porta aberta do «salão» da unidade, de mãos dadas, em espírito de fraternidade. Que o Pai do céu nos encoraje a dar os últimos passos e nos abençoe com o espírito da reconciliação”, acrescentou.

O pastor Mark Wilson manifestou a sua “alegria” por estar com cristãos anglicanos, católicos, luteranos, greco-católicos e ortodoxos. “É um privilégio estar aqui. Estou muito contente que esta igreja esteja tão cheia nesta tarde para dar energia a esta nossa oração ao nosso Senhor Jesus Cristo”, afirmou, deixando um desafio. “Que continuemos a trabalhar insistentemente até ao dia em que possamos, de facto, olhar para nós mesmos e afirmar que a unidade na nossa diversidade ganhou tal energia que somos um no espírito do nosso Senhor”, apelou.

Depois das homilias, a celebração prosseguiu com alguns momentos simbólicos como o desmantelamento do muro e a construção de uma cruz com as pedras que o constituíam. “Ajuda-nos a agir como ministros da reconciliação e sana as divisões entre as nossas Igrejas para que possamos servir melhor como instrumentos da tua paz no mundo”, rezou D. Manuel Quintas.

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Foto © Samuel Mendonça

Outros gestos particularmente simbólicos foram o do abraço da paz entre os representantes das Igrejas e o do acendimento de velas a partir do círio pascal, distribuídas a todos os presentes, depois de se ter rezado pela unidade, verdade e paz. “Como embaixadores de Cristo, carregaremos esta luz para o mundo, para os lugares escuros onde discussões, discordâncias e divisões impedem o nosso testemunho conjunto. Que a luz de Cristo promova a reconciliação nos nossos pensamentos, palavras e ações”, afirmou D. Manuel Quintas, tendo o bispo e os pastores desafiado os participantes naquela oração a serem “ministros da reconciliação” e “embaixadores de Cristo”.

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