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Joao_pessoaJoão Pessoa é um fabricante de instrumentos de corda artesanais que trabalha para artistas como os Blasted Mechanism e vê na internacionalização da sua empresa uma saída para o negócio que desenvolve, há 15 anos, em Olhão.

Este artesão de instrumentos de corda personalizados (luthier) disse à agência Lusa que a especificidade do seu ofício faz com que Portugal não seja suficiente para assegurar a continuidade do projeto de reparação e de fabrico de instrumentos por medida, que realiza no Algarve desde 1999.

Por isso, lançou um projeto de “crowdfunding” (financiamento coletivo) para juntar o dinheiro necessário para estar presente na Musikmesse, a maior feira de instrumentos musicais do mundo, que se realiza em Frankfurt (Alemanha), de 15 a 18 de abril, e vai conseguir reuni-lo graças ao apoio de particulares e de empresas algarvias que contribuíram “até duas vezes”, disse.

“O prazo termina na sexta-feira e ainda faltam cerca de 1.000 euros, mas o montante que falta já me garantiram que vai ser reunido. Quanto menos abusarmos das pessoas melhor, porque o que falta vai ser posto por amigos que sempre nos ajudaram e que já vão ajudar de segunda vez”, afirmou João Pessoa.

Jp_custom_guitarO objetivo da presença em Frankfurt é, revelou o artesão algarvio e o único na região a fazer este trabalho especializado, “mostrar que em Portugal também se fazem instrumentos de altíssima qualidade”, conseguir novas encomendas a nível internacional e, através dessa exposição, dinamizar também os pedidos ao nível interno.

Jp_custom_guitar3“O mercado português para este tipo de produtos é limitado e a JP [empresa de João Pessoa] depende muito de se internacionalizar e que, pelo menos, os nossos vizinhos europeus tenham conhecimento de que fazemos instrumentos a um preço altamente competitivo, tendo em conta que são 100% construídos à mão e segundo as especificações de cada cliente”, explicou.

O luthier frisou que, “se isso não acontecer, vai ser muito mais difícil manter uma porta aberta e continuar a fazer esses serviços de construção, reparação e restauro”, que têm permitido à empresa e aos seus dois funcionários subsistir.

Jp_custom_guitar2“Estamos no Algarve. Se estivéssemos em Lisboa, não tinha tanto esse problema”, admitiu, respondendo que é “uma desvantagem estar no sul país, porque o nicho de mercado é muito pequenino e já está saturado com os instrumentos” da JP Pessoa.

O artesão referiu que todos os músicos algarvios com quem a JP Pessoa trabalha “já têm instrumentos, utilizam-nos para ganhar a vida” e, como a empresa “não tem ‘stock’, não há possibilidade de os experimentar” e a única forma de ter acesso a um é “confiar e mandar fazer”.

João Pessoa considerou que “a internacionalização dá mais confiança aos portugueses” e a exposição externa faz com que internamente “gostem e confiem mais” no trabalho realizado.

“Se formos à feira de Frankfurt vamos ter mais encomendas internacionais, mas o mercado português fica mais atento”, acrescentou, sublinhando o máximo de unidades que fez “num ano foram 15”, embora tenha “capacidade para construir dois ou três instrumentos por mês”.

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