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Um total de 76 sobreiros e azinheiras foram “abatidos ou severamente podados” na serra do Caldeirão, em Loulé, numa ação de gestão de combustíveis das linhas da EDP, revelou hoje à Lusa fonte ligada ao processo.

Segundo disse à Lusa Joaquim Castelão Rodrigues, diretor regional do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), ao todo, foram 76 as árvores afetadas por estes trabalhos, e embora “nem todas” estejam “condenadas”, muitas “dificilmente recuperarão”.

O dirigente referiu que as intervenções de limpeza de árvores protegidas por lei estão sujeitas a autorização do ICNF, o que “não aconteceu neste caso”, por isso, aquela entidade ordenou o embargo dos trabalhos e levantou “o respetivo auto”.

“Alguém é o responsável. Se é a EDP, a empresa contratada ou um subempreiteiro, é isso que temos de apurar” sustentou Joaquim Castelão Rodrigues, sublinhando que o próximo passo é uma investigação, com audição de testemunhas.

Os trabalhos decorreram no final do mês de novembro e início de dezembro, numa faixa de 6,5 quilómetros de comprimento por 10 metros de largura, perto da localidade de Quintã, freguesia de Salir.

Em resposta à Lusa, fonte oficial da EDP Distribuição afirmou não ter conhecimento, “até ao momento”, do auto levantado sobre os trabalhos em questão, contrapondo que a suspensão dos mesmos deveu-se “a uma decisão da própria empresa”.

A EDP reforçou que a autorização para a realização do corte dos sobreiros em causa “foi solicitada ao ICNF em abril deste ano” e “face à demora de resposta”, a empresa avançou com os respetivos trabalhos, atendendo ao risco iminente para a segurança da rede elétrica e cumprindo, assim, as suas obrigações legais.

O Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR confirmou à Lusa a existência de quatro denúncias ambientais relacionados como caso, tendo os agentes “visitado o local em diversos dias” e “identificado alguns dos autores dos trabalhos”, numa investigação conjunta, mas coordenada pelo ICNF.

O alerta partiu de um proprietário florestal, que preveniu a Associação dos Produtores Florestais da Serra do Caldeirão e apresentou uma queixa ao ICNF, já que “não quereria ser responsabilizado” pelos trabalhos nos seus terrenos, revelou um técnico florestal da associação.

Pedro Jesus adiantou à Lusa que a associação procurou mais indícios e já recebeu relatos de 15 proprietários, que dizem terem sido afetados por estas “podas severas”, tendo chegado a notícia de que o mesmo teria sucedido noutra zona “um pouco mais a norte”, embora nenhum membro da associação tenha ido ao local “para confirmar”.

A limpeza decorreu numa faixa de terreno por baixo das linhas de média tensão da EDP e, apesar de os terrenos terem dono, a limpeza e gestão de combustíveis ”numa faixa mínima de 15 metros por debaixo das linhas” é da responsabilidade da empresa.

“Em pinheiros e eucaliptos, onde há perigo de contacto da copa com os cabos, costumam cortar, mas em azinheiras e sobreiros, árvores novas onde a copa está longe dos cabos, nunca tinha acontecido”, referiu o técnico.

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