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Através de sensores colocados na água, a equipa detetou a presença de vestígios de anti-inflamatórios, anti-depressivos, analgésicos e alcalóides como a cafeína, revelou à Lusa Maria João Bebianno, do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA).

O impacto na saúde pública não é ainda conhecido mas os primeiros resultados deverão estar disponíveis no início do próximo ano, acrescenta a investigadora, sublinhando que as últimas amostras serão recolhidas neste fim de semana.

A descoberta foi feita ao abrigo de um projeto que envolve também a Universidade de Bordéus, em França, que cedeu os sensores que possuem no seu interior membranas que absorvem os compostos.

Segundo Maria João Bebianno, o problema existe um pouco por todo o mundo e deve-se ao facto de as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) não disporem ainda de tecnologia que permita tratar estes componentes.

Os fármacos ingeridos pela população e eliminados através da urina e das fezes são encaminhados como esgotos para as ETAR e escoados para os mares ou rios depois de tratados, mas aqueles compostos químicos nunca chegam a desaparecer.

A descoberta tornou-se ainda mais surpreendente quando a equipa detetou o mesmo problema no Rio Guadiana, zona onde se percebe que a população é mais idosa, pelo tipo de medicamentos consumidos, acrescenta a investigadora.

Por outro lado, segundo Maria João Bebianno, também os fármacos administrados por veterinários a animais podem contribuir para o aumento da concentração destes contaminantes na água.

O estudo entrou agora numa segunda fase que consiste na análise das amostras recolhidas na época alta para perceber se a concentração destes vestígios aumenta proporcionalmente ao aumento da população resultante do turismo.

Lusa

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